Título: Dilma: Brasil quer influenciar EUA sobre clima
Autor: Magalhães-Ruether, Graça
Fonte: O Globo, 16/11/2009, O País, p. 4
Em Copenhague, ministra presidenciável assume papel-chave do governo na área ambiental, mas nega uso eleitoral
COPENHAGUE. O Brasil espera que as medidas de redução de emissão de gás carbônico anunciadas na última sexta-feira, de até 38,9% até o ano de 2020 - as mais ambiciosas já apresentadas por um país em desenvolvimento -, possam influenciar países ainda hesitantes, como China e Estados Unidos, a assumir um compromisso no próximo acordo do clima que vai suceder ao Protocolo de Kyoto.
- O Brasil já mostrou posição clara de que está disposto a reduzir, e espera que os países industrializados assumam compromissos concretos de redução em Copenhague - disse a ministra da Casa Civil, Dilma Rousseff, ontem à noite, na capital dinamarquesa, antes de iniciar oficialmente sua missão internacional mais importante, como chefe da delegação brasileira na última reunião preparatória para a Conferência do Clima das Nações Unidas, que ocorre em dezembro.
Pré-candidata do presidente Luiz Inácio Lula da Silva e do PT à sucessão presidencial, Dilma tem sido escalada para compromissos ligados ao meio ambiente, principal bandeira da senadora e ex-ministra Marina Silva, possível candidata do PV. Semana passada, Dilma anunciou, ao lado de Lula, a maior redução no nível de desmatamento da Amazônia. A ministra, porém, negou estar dando especial ênfase ao tema devido às eleições:
- A Casa Civil sempre esteve na liderança das questões sobre o combate ao desmatamento e a mudanças do clima, desde a época da ministra Marina Silva - minimizou Dilma.
A cúpula de Copenhague, que deverá reunir 192 países mês que vem, corre o risco de fracasso caso os Estados Unidos (que não ratificou o Protocolo de Kyoto) se recusem a um compromisso concreto. Segundo Dilma, o Brasil mostrou ao presidente Barack Obama o caminho para o sucesso das negociações. Anteontem, Dilma acompanhou Lula em encontro, em Paris, com o presidente francês, Nicolas Sarkozy.