Título: Risco de efeito dominó, mas benefícios do sistema são maiores
Autor: Paul, Gustavo; Tavares, Mônica; Oliveira, Eliane
Fonte: O Globo, 16/11/2009, Economia, p. 13

BRASÍLIA. O sistema brasileiro é robusto, está entre os melhores do mundo, mas não está livre de riscos, insiste o presidente da Empresa de Pesquisa Energética (EPE), Maurício Tolmasquim. O apagão, admite, terá consequências e as autoridades do setor terão de levá-lo em conta nos planejamentos futuros.

O apagão mostrou que o sistema elétrico brasileiro é frágil e precisa ser alterado?

MAURÍCIO TOLMASQUIM: Não existe sistema construído pelo homem que seja infalível. Riscos existem. O blecaute pode ser considerado um alerta para os planejadores do setor?

TOLMASQUIM: Não estou dizendo que não temos de melhorar o sistema. A recomposição da energia, por exemplo, deveria começar nos centros onde é maior a concentração de pessoas. Tudo isso vai ser analisado.

A rede nacional de transmissão não representa um risco, já que está sujeita a chuvas, raios e ventos?

TOLMASQUIM: Temos um sistema mais robusto do que havia há dez anos. Entre 1996 e 2002 foram construídos 11 mil quilômetros de linhas. Já entre 2003 e 2010 serão construídos 30 mil km. Houve também aumento na interconexão entre as regiões.

O Sistema Integrado Nacional possibilita o efeito dominó no caso de queda de energia. Isso não é um problema?

TOLMASQUIM: Em nenhum país do mundo existe um sistema como o nosso. É um absurdo dizer que ele representa uma fraqueza. Com ele, pode-se transferir energia que sobra para onde há falta. A interligação pode levar ao efeito dominó, mas os benefícios são muito maiores.

Como pode se reduzir o risco de novos apagões?

TOLMASQUIM: Evitar que ocorram é muito difícil. Mas pode-se minorar os riscos. Tem de haver a combinação de diversas coisas. Atividades térmicas próximas dos centros de consumo, co-geração e menor dependência de Itaipu.

Será preciso mudar o planejamento de construção de térmicas e hidrelétricas?

TOLMASQUIM: Estamos com excedente de geração. Na transmissão, a probabilidade que aconteça algo é baixíssima, mas não é zero. E já planejamos uma quantidade suficiente de térmicas próximas aos grandes centros.