Título: Para analistas, diversificação é a saída
Autor: Ordoñez, Ramona
Fonte: O Globo, 13/11/2009, Economia, p. 30

ONS reconhece que matriz deve ter maior variedade de fontes de energia

BRASÍLIA. A maior segurança do setor elétrico será alcançada, no futuro, apenas com o uso simultâneo de várias fontes de energia. Isto é, com a diversificação da matriz energética, fazendo com que o país, além de hidrelétricas, tenha termelétricas, usinas eólicas e movidas a biomassa, entre outras fontes. A opinião é do diretor de Operação do Operador Nacional do Sistema Elétrico (ONS), Eduardo Barata. O órgão é responsável pela coordenação e o monitoramento do dia a dia do setor.

¿ A saída é a diversificação da matriz ¿ admitiu.

O presidente do conselho de administração da Associação Brasileira dos Produtores Independentes de Energia (Apine), Luiz Fernando Vianna, também concorda com a necessidade de diversificação das fontes energéticas no país. O sistema de transmissão teve investimentos pesados a partir de 2001/2002, e o sistema de geração cresceu muito, com leilões de energia.

Por isso, segundo ele, não foi por falta de investimentos públicos ou privados que ocorreu o apagão desta semana.

¿ O Brasil tem vocação hidrelétrica, é a fonte mais barata, é importante para a tarifa do consumidor. Mas a diversidade de fontes é fundamental ¿ destacou Vianna.

Associação sugere usinas de biomassa para o Sudeste É necessário que a variedade faça parte do ¿DNA¿ do setor.

Segundo ele, a energia do bagaço de cana, por exemplo, é gerada durante os sete meses do período de seca no Sudeste do país, justamente quando os reservatórios das usinas hidrelétricas estão baixos. Logo, ela tem um efeito suplementar. Já as pequenas centrais hidrelétricas (PCHs) têm uma geração distribuída em todo o território do país.

Para o uso de energia eólica ¿ será realizado um leilão ainda este ano ¿ Vianna acredita que o país ainda tem muito o que avançar. E para térmicas que operem o ano inteiro, com carvão nacional, há espaço apenas no Rio Grande do Sul, em Santa Catarina e um pouco no Paraná.

Ele lembra que a empresa MPX ¿ do grupo de Eike Batista ¿ está instalando térmicas no Maranhão e no Ceará que vão utilizar carvão importado. Há ainda o programa nuclear, diz ele, que é de baixo custo ambiental.

Apesar da cobrança inicial sobre por que usinas térmicas não foram acionadas para permitir o restabelecimento do fornecimento de energia após o curtocircuito que travou a distribuição da energia de Itaipu, Barata, do ONS, defendeu que a solução não é simplesmente a construção de mais térmicas. As principais metrópoles brasileiras ¿ São Paulo, Rio, Curitiba, Porto Alegre, Fortaleza, Recife e Natal ¿ já têm este tipo de usina, diz.

E elas são caras.

Barata lembrou que estas unidades são abastecidas hoje basicamente a óleo diesel, um insumo caro. Ampliar consideravelmente o número de térmicas demandaria investir em outro combustível, o gás natural, que pressupõe, por sua vez, a construção de uma grande rede de gasodutos ¿ de que o Brasil ainda não dispõe. O diretor afirma ainda que térmicas levam até quatro horas para serem ligadas e, por isso, não são solução em caso de apagão.

O presidente da Associação Brasileira dos Agentes Comercializadores de Energia Elétrica (Abraceel), Paulo Pedrosa, disse que o problema não é ter segurança energética mas a que preço. Ele lembrou que o custo da transmissão tem subido muito no país nos últimos anos, justamente porque procura-se construir quatro linhas de transmissão, uma do lado da outra, para se ter segurança.