Título: Pode ter sido um disjuntor, um conector
Autor: Franco, Ilimar
Fonte: O Globo, 12/11/2009, Economia, p. 24
Presidente da Itaipu Binacional lembra que falhas anteriores deste tipo foram consequência de "situações atmosféricas"
ENTREVISTA Jorge Samek
Às 15h de ontem, o presidente da Itaipu Binacional, Jorge Samek, estava a caminho de uma reunião na Presidência da República, para tratar do apagão, quando foi entrevistado pelo GLOBO. Ele afirmou ter passado a noite em claro acompanhando os desdobramentos do blecaute e falou sobre a tensão no momento da queda da energia.
BRASÍLIA
O GLOBO: Por que ocorreu o apagão de energia? JORGE SAMEK: Houve uma falha no sistema de transmissão entre as subestações de Itaberá e Tijuco Preto, em São Paulo.
Furnas investiga as causas. Trabalhávamos com a hipótese de linhas danificadas e torres derrubadas.
Mas esta preocupação está afastada. Em 2007, em Cascavel (PR), os ventos derrubaram quatro torres. No ano anterior, seis torres de uma linha e cinco torres de outra caíram. O problema é que desta vez todas as linhas foram afetadas.
Pode ter sido sabotagem? Ou a ação de hackers? SAMEK: Não creio em sabotagem nem na ação de hackers.
O sistema de Itaipu é blindado e, pelo que sei, o sistema de transmissão é seguro. A falha pode ter ocorrido num disjuntor, num conector, num transformador.
Então, pode ser um problema de falta de investimento na transmissão ou na manutenção do sistema? SAMEK: Todas as vezes em que isso ocorreu foi decorrente de situações atmosféricas. Nos últimos anos verificamos a ocorrência de tornados e tufões no Sul. Estamos no primeiro ano do fenômeno El Niño.
Estamos diante de um apagão, como em 2001? SAMEK: A situação é distinta.
Naquela época não foram feitos os investimentos necessários em geração e transmissão de energia. A carga necessária para atender os usuários do sistema era superior à capacidade de geração de energia. Havia seca, hoje os reservatórios de água estão vertendo no Sul. No Sudeste, estão com 80% da capacidade; no Nordeste, 70%; e no Norte, 45%. E as chuvas estão só começando. Em 20 dias Tucuruí (PA) vai estar vertendo água.
Como foi enfrentar esse momento de tensão? SAMEK: Às 22h13m10s, as 18 turbinas de Itaipu estavam rodando, mas a transmissão não aceitava os 14 mil megawatts que gerávamos. Imaginamos o pior, que linhas tinham sido danificadas, que torres podiam ter sido derrubadas. Mas à meianoite a primeira linha foi restaurada.
À 1h15m, a segunda voltou a operar. Às 3h, a terceira.
Às 5h15m, quando a ONS nos informou que todo o sistema estava de pé, comemoramos. Foi uma farra. Foi uma injeção de ânimo. Estava tudo resolvido, tínhamos vencido a parada.