Título: Irã condena cinco opositores à morte
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Fonte: O Globo, 18/11/2009, O Mundo, p. 28
TEERÃ. O governo do Irã anunciou ontem que cinco pessoas foram condenadas à morte por participação nos protestos contra as eleições presidenciais de junho, consideradas fraudadas pela oposição. Segundo a TV estatal, mais de 80 pessoas receberam sentenças que variam de seis meses de prisão à pena capital por terem participado de ¿grupos contrarrevolucionários¿.
O resultado eleitoral que deu ao presidente Mahmoud Ahmadinejad um segundo mandato provocou a maior reação popular contra o governo em 30 anos de Revolução Islâmica. Além de os manifestantes terem sido violentamente reprimidos, milhares de pessoas foram presas. A maioria das pessoas detidas foi libertada, porém, mais de cem reformistas, ativistas políticos e jornalistas foram submetidos a um julgamento em massa.
¿Até agora, os veredictos foram ditados em 89 dos casos, dos quais cinco foram condenados à morte por serem filiados a grupos contrarrevolucionários¿, disse um comunicado do tribunal, divulgado pela TV estatal.
Entre os demais, 81 foram condenados a penas de prisão, entre seis meses e 15 anos. Três foram absolvidos. A nota diz que as sentenças ¿não são finais e estão sujeitas a apelação¿. Em outubro, o governo já divulgara que três pessoas tinham sido condenadas à morte.
A onda de repressão violenta de opositores não se limita ao Irã. Semana passada, o governo chinês anunciou que nove pessoas tinham sido executadas devido aos distúrbios na província de Xinjiang em julho. Dos executados, sete tinham nomes uigures ¿ povo muçulmano que vive na região ¿ e dois, chineses da etnia han. A revolta começou com a morte de dois uigures no sul da China. Quase 200 pessoas morreram.