Título: Troca de relatores
Autor: Rocha, Marcelo
Fonte: Correio Braziliense, 28/05/2009, Política, p. 3
Adversários do Planalto aproveitam ida de Inácio Arruda para a CPI da Petrobras e colocam Arthur Virgílio no comando da comissão que investiga ONGs
Arruda, cotado para a presidência da CPI da Petrobras: vaga de relator aberta em outra comissão Na definição da base aliada no Senado sobre a composição da CPI da Petrobras, os adversários do Palácio do Planalto aproveitaram para emplacar um representante na relatoria da CPI das ONGs. Sob a batuta de Inácio Arruda (PCdoB-CE), essa comissão se arrasta há quase dois anos e pouco barulho produziu. A oposição guarda esperança de imprimir novo ritmo à investigação, que tem uma das linhas de apuração voltada para os convênios firmados entre o governo federal e as entidades sem fins lucrativos.
A substituição foi motivo de polêmica ontem à noite entre os líderes partidários presentes em plenário. De início, a liderança do PT indicou Arruda para compor, como titular, a comissão da Petrobras, desconsiderando o fato de ele ser relator da CPI das ONGs. O senador Heráclito Fortes (DEM-PI) correu e nomeou o líder do PSDB, Arthur Virgílio (AM), no lugar do parlamentar cearense. ¿Agora, vamos dar um novo ritmo a essa comissão (das ONGs)¿, afirmou Heráclito, que tentará propor a prorrogação dos trabalhos do grupo, previstos para se encerrar no próximo 1º de julho, até o fim do ano.
Para o líder petista na Casa, a manobra da oposição de acumular a presidência e a relatoria da CPI das ONGs pouco interferirá no andamento da comissão. O governo ainda mantém o placar favorável de sete integrantes a quatro.
Na CPI das ONGs, a oposição tentou, até agora sem êxito, investigar as parcerias da Petrobras com as entidades sem fins lucrativos. Procura-se, com isso, identificar o direcionamento de verbas públicas para apadrinhados políticos. Mas a busca esbarra na resistência da base aliada. Chegou a ser enviado pedido de informação ao Ministério de Minas e Energia, comandado pelo senador Edison Lobão (PMDB-MA). A pasta enviou um calhamaço de papel sobre patrocínios realizados entre 2001 e 2006. Os técnicos no Senado analisaram a documentação e a classificaram de pouco produtiva. Ficou nisso.
Foi apresentado ainda, por Heráclito Fortes, requerimento para ouvir Sérgio Rosemberg, assessor do presidente da estatal, Sérgio Gabrielli. Como justificativa, o senador descreveu que a Petrobras contratou uma ONG ligada ao PT, a Associação de Apoio e Assessoria a Organizações Sociais do Nordeste (Aanor), para gerenciar verba de R$ 1,4 milhão destinada ao financiamento dos festejos de são-joão em 26 cidades da Bahia. O elo entre a Aanor e o PT seria Aldenira da Conceição Sena, presidente da ONG, vice-presidente estadual e funcionária da liderança daquele partido na Assembléia Legislativa.
Falta acordo A proposta de Heráclito foi protocolada ainda em abril, mas até ontem a CPI das ONGs não havia chegado a um acordo sobre ela. Esse entendimento passa pelo relator Inácio Arruda. Com ele afastado da comissão, acreditam os adversários de Lula, as chances aumentariam.
Líderes da oposição acreditam que as CPIs ¿ Petrobras e ONGs ¿ têm afinidade. O drama para desses partidos é o tempo. A comissão instalada em outubro de 2007 e voltada para apurar as entidades sem fins lucrativos tem apenas mais um mês de existência. Expira em 1º de julho.