Título: Senado aprova indicação de novo diretor do BC
Autor: Duarte, Patrícia
Fonte: O Globo, 25/11/2009, Economia, p. 27

Aldo Luiz Mendes defende estabilidade de preços e autonomia da autoridade monetária

BRASÍLIA. Numa posição afinada com os mantras do Banco Central (BC), e defendendo a autonomia formal da instituição, o novo diretor de Política Monetária do Banco Central (BC), Aldo Luiz Mendes, teve a indicação ao cargo aprovada ontem pelo Senado. Mendes, que foi sabatinado por pouco mais de duas horas pelos senadores, defendeu que seu principal objetivo no BC será a estabilidade de preços, que ele apontou como o pilar de um crescimento sustentável. Repetiu ainda que os principais instrumentos econômicos do país são a meta de inflação, o câmbio flutuante e a estabilidade de preços.

- O objetivo da política econômica, em qualquer país, deve ser o de criar precondições necessárias ao crescimento sustentável. Dentre estas precondições destaca-se, sem dúvida, a busca intransigente da estabilidade de preços. A estabilidade é um bem público por excelência e seu valor deve ser preservado.

A posse de Mendes no BC ainda não foi agendada. A ideia é que ele participe da próxima reunião do Comitê de Política Monetária (Copom), nos dias 8 e 9 de dezembro.

Mendes, que é funcionário de carreira do Banco do Brasil (BB), defendeu ainda a autonomia do BC - posição a que foi contrário há alguns anos - e lembrou que há projetos de lei no Congresso sobre o tema. O governo não tem interesse em aprovar a autonomia formal do BC para não perder um de seus principais condutores da política econômica.

- Em termos conceituais, sou favorável (à autonomia formal do BC). Também no caso brasileiro, a experiência dos últimos anos comprova que o BC deve dispor de autonomia operacional de facto para calibrar com eficiência os instrumentos de política monetária.

Mendes passou por uma saia justa no Senado. O senador Heráclito Fortes (DEM-PI) lembrou o caso Bancoop - cooperativa de crédito do Sindicato dos Bancários de São Paulo -, que é investigado por ter um rombo de R$100 milhões e que, ainda assim, recebeu R$5 milhões do fundo de pensão do BB, a Previ. Na época, Mendes integrava a diretoria da Previ e disse que não se lembrava do problema.

A sabatina quase foi adiada por pedido de vista de Fortes, que gostaria de ouvir o diretor demissionário do BC Mário Torós, que revelou bastidores do combate à turbulência internacional, abrindo uma crise no BC. Torós, porém, será convidado para uma audiência à parte.