Título: Eleito no PT, Dutra já negocia 2010 com PMDB
Autor: Camarotti, Gerson; Lima, Maria
Fonte: O Globo, 25/11/2009, O País, p. 11

Ideia é começar a desatar nós nas pré-candidaturas estaduais que emperram a aliança pró-Dilma em 2010

BRASÍLIA. Antes mesmo de tomar posse como o novo presidente nacional do PT, o ex-senador José Eduardo Dutra participa hoje cedo de reunião da cúpula do seu partido com o comando do PMDB para começar a desenrolar, em pelo menos dez estados, o nó da aliança que sustentará a candidatura da ministra Dilma Rousseff (Casa Civil) a presidente. Os peemedebistas prepararam uma pauta de cobranças para mostrar aos petistas, mas querem mesmo é que o presidente Luiz Inácio Lula da Silva avalize acordos regionais para garantir uma aliança sólida no cenário nacional. E dizem que o PMDB não aceitará imposições.

A cúpula do PMDB está preocupada com a possibilidade de palanques petistas no Rio, em Minas Gerais e Mato Grosso do Sul, além de impasses no Pará, Piauí e Rondônia. A situação mais difícil é a do Rio, onde o prefeito de Nova Iguaçu, Lindberg Farias (PT), diz que não abrirá mão de concorrer contra o governador Sérgio Cabral (PMDB).

- O nosso aliado é o presidente Lula. Portanto, se o PT quer eleger a Dilma, não é aceitável imposições ao PMDB. É preciso compatibilizar os palanques - antecipou ontem o líder do PMDB na Câmara, Henrique Eduardo Alves (RN).

"Não podemos ficar no me dê isso, te dou aquilo"

O líder do governo no Senado, Romero Jucá (PMDB-RR), reforçou o alerta:

- O ideal é a base sair unida porque antecipa um turno na disputa presidencial.

O futuro presidente do PT e novo negociador das alianças concorda que o Rio é prioridade para o PMDB. Mas alerta que essas conversas não podem ser conduzidas como se fosse uma reunião sindical, onde cada parte apresenta uma pauta para barganhar compensações:

- Neste momento a gente não pode ficar nessa de "me dê isso que te dou aquilo".Temos que analisar as dificuldades de cada estado e, sem faca no pescoço, tentar afunilar o que cada lado quer.

No caso do PT, há uma clara disposição dos novos integrantes da cúpula do partido de defender a posição do PMDB no Rio, para evitar um estrago maior na candidatura Dilma Rousseff.

- O Rio é o estado que o PMDB vai colocar como prioridade. Mesmo porque é o maior e principal estado que governa. Vamos convencer as bases do partido - disse Dutra.

O bombardeio a Lindberg Farias foi feito também pelo deputado cassado José Dirceu, integrante da chapa vitoriosa de Dutra no PED. Em seu blog, ele afirmou que o lançamento da candidatura de Lindberg pode custar o apoio do PMDB.

O presidente do Senado, José Sarney (PMDB-AP), um dos mais fiéis defensores de Lula e Dilma, disse que é natural a existência de palanques duplos do PT e PMDB em vários estados.

- A unidade dos partidos não é feita por unanimidade. As realidades políticas nos estados são muito diferentes umas das outras - disse Sarney.

Até o início da noite de ontem, 65% dos votos já tinham sido apurados, com Dutra somando mais de 55%. O segundo colocado, José Eduardo Cardozo (SP), com 19% dos votos, parabenizou o colega pela vitória.