Título: Emissões de CO2 no país aumentam 69%
Autor: Scofield Jr., Gilberto
Fonte: O Globo, 26/11/2009, Ciência, p. 38
Dado faz parte do inventário , preliminarmente divulgado, e vai de 1990 a 2005
BRASÍLIA. As emissões de gases-estufa do Brasil cresceram 62% entre 1990 e 2005, quando o país emitiu 2,2 bilhões de toneladas desses gases. Se for computada somente a emissão de CO2, o principal causador do aquecimento global, o aumento foi ainda maior: 69% nos 15 anos. Em 1990, a quantidade de gás carbônico emitida foi de 931,7 milhões de toneladas. Já em 2005, o país emitiu 1,57 bilhão de toneladas. Os números são preliminares e constam do inventário nacional, divulgado ontem pelo Ministério da Ciência e Tecnologia, depois de numerosas cobranças e críticas, inclusive dentro do governo.
O subsetor energético foi o que mais aumentou suas emissões, passando de 22,1 milhões de toneladas de CO2 para 48,4 milhões, um incremento de 119%. Nessa área estão incluídas as refinarias de petróleo, termelétricas, carvoarias e destilarias de álcool combustível, que, somadas, representam 3,1% de todas as emissões do Brasil. O segundo setor que mais aumentou sua participação no bolo das emissões também está relacionado com combustíveis fósseis: a extração e transporte de petróleo e gás natural. Essa área mais do que dobrou suas emissões entre 1990 e 2005 (109% a mais), passando de 5,7 milhões de toneladas de CO2 em 1990 para 12,1 milhões em 2005. Essa área representa 0,8% das emissões totais.
Mas é o desmatamento a atividade que ocupa o papel principal nas emissões do país, com 57,5% das emissões totais. Em 2005 respondeu por 1,2 bilhão de toneladas de gases-estufa liberados na atmosfera.
Ministro minimiza aumento dos gases do efeito estufa
A agricultura também teve um peso importante, causando a emissão de 487,3 milhões de toneladas, 22,1% do total de emissões. Em terceiro lugar ficou o setor de energia, com um total de 362 milhões de toneladas de gases-estufa emitidos em 2005, 16,4% do total.
Ao anunciar os dados, o ministro da Ciência e Tecnologia, Sérgio Rezende, minimizou o aumento das emissões brasileiras:
- Esse número é muito inferior ao da China e da Índia, que mais do que dobraram suas emissões.
Segundo Rezende, confrontado com as emissões registradas no mundo todo, o Brasil responde por 4,4% do total, já que o planeta teria emitido em 2005 cerca de 50 bilhões de toneladas de CO2. Técnicos do ministério consideram razoável o aumento das emissões brasileiras, se comparado ao crescimento do PIB.
Rezende disse que os números são oficiais e que o ajuste que o inventário final trará será mínimo:
- A eventual variação nesses números será de, no máximo, 4% ou 5%. Estes são os números oficiais hoje. Este é o inventário.
O reajuste do dado preliminar do último inventário brasileiro, de 1994, no entanto, foi de 10%.
Outra questão que ainda permanece em aberto é com relação às metas de redução que o governo apresentará em Copenhague. Para cortar até 39% das emissões projetadas para 2020, o governo trabalha com a perspectiva de estar emitindo, daqui a onze anos, 2,7 bilhões de toneladas de CO2. Em um estudo ainda não divulgado pelo Banco Mundial, o número estimado pelos pesquisadores do Bird é bem mais tímido: 1,71 bilhão de toneladas, o que distorceria as projeções.
- As projeções envolvem um certo grau de incerteza. É importante que esses compromissos (do governo) resultem em uma mudança de comportamento - disse o ministro.
Mais de 700 técnicos participaram do estudo
Já o que foi apresentado ontem é o resultado de estudos contratados pelo ministério a várias instituições, como a Companhia Ambiental do Estado de São Paulo (Cetesb), a Embrapa e a Fundação de Ciência, Aplicações e Tecnologia Espaciais (Funcate). Os dados ainda serão revisados e checados por técnicos do Ministério da Ciência e Tecnologia e transformados em relatórios setoriais. Depois disso, eles serão colocados em consulta pública para que pesquisadores que não participaram do processo possam verificá-los.
O prazo que a Convenção de Clima da ONU deu para que o documento seja entregue é 31 de março de 2011. Quem financia o estudo é o Fundo Ambiental Global (GEF, da sigla em inglês). O contrato com o órgão é de US$10 milhões. Cerca de 700 técnicos e 150 instituições vêm trabalhando no levantamento desde fevereiro de 2006, quando foi liberada a primeira parcela da verba.