Título: DEM deve aprovar expulsão de Arruda
Autor: Brígido, Carolina
Fonte: O Globo, 30/11/2009, O País, p. 3
Governador se reúne hoje com membros do partido para apresentar sua versão sobre denúncias
BRASÍLIA. Depois de pressão da cúpula do DEM, o governador José Roberto Arruda marcou para a tarde de hoje reunião com um grupo de representantes do partido para apresentar sua versão sobre as denúncias de que comanda um esquema de propina e distribuição de mesadas a parlamentares aliados. O DEM tem pressa para tentar se livrar do problema. Será dito a Arruda que a posição majoritária entre os democratas é pela sua expulsão. Sem partido, Arruda não poderá ser candidato à reeleição e a nenhum outro cargo ano que vem, pois a legislação eleitoral exige a filiação pelo menos 12 meses antes do pleito.
Integrantes do comando do DEM classificaram como "pífias" as explicações apresentadas por Arruda. Por isso, uma reunião da Executiva Nacional do partido será convocada para analisar o caso.
Na noite de sábado, depois da exibição das imagens de Arruda recebendo um maço de dinheiro das mãos do então presidente da Codeplan (Companhia de Desenvolvimento do GDF) Durval Barbosa Rodrigues, dirigentes do DEM fizeram uma reunião em Brasília. O consenso é que o material contra Arruda é demolidor.
- Os fatos são graves. Ele vai ter a oportunidade de explicar tudo - disse o deputado Rodrigo Maia, presidente do DEM.
Ontem, Arruda telefonou para alguns dirigentes do DEM. Para Rodrigo Maia, chegou a afirmar que gostaria de explicar o que aconteceu, de fato, e marcou a reunião de hoje.
Ao senador Demóstenes Torres (DEM-GO), Arruda deu nova versão para a imagem divulgada pela TV Globo, em que recebe dinheiro de Durval. Diferentemente da versão de seu advogado - de que era para comprar panetone para crianças carentes -, Arruda explicou que era doação de campanha declarada à Justiça Eleitoral.
- Não queremos saber de versão. O que queremos são os fatos. Caso contrário, partiremos para a expulsão - disse Demóstenes Torres.
Se estiver correta a versão do governador para o uso do dinheiro recebido em espécie em 2006, a população carente do Distrito Federal recebeu naquele ano 3.333 panetones - considerando que um panetone de marca popular custa em torno de R$6. No último 30 de outubro, o pagador do dinheiro, Durval Barbosa, ex-secretário de Relações Institucionais do governo local, entregou à Polícia Federal quatro ofícios assinados por Arruda agradecendo por doações financeiras que seriam usadas para a compra de "panetones e brindes".
O ofício de 2006 atestava uma contribuição de R$20 mil, aquela flagrada em vídeo por Durval, e exibida no sábado pela TV Globo.
Os ofícios são idênticos, com referência a contribuições dadas por Durval em 2004, 2005, 2006 e 2007. No último ano, Arruda já era governador. No texto, Arruda agradece a doação "para pequenas lembranças e nossa campanha de Natal".
Os ofícios integram o inquérito que investiga pagamento de propina e desvio de dinheiro público no governo do Distrito Federal. Os autos estão nas mãos do Superior Tribunal de Justiça (STJ), que poderá ordenar perícias para descobrir quando os ofícios foram redigidos.