Título: Os diálogos gravados
Autor: Éboli,
Fonte: O Globo, 30/11/2009, O País, p. 4

Abaixo, trechos da gravação realizada pela Polícia Federal, em outubro. Após a publicação de reportagem no "Correio Braziliense", na qual o governador José Roberto Arruda disse buscar assessores honestos, Durval Barbosa, então secretário de Relações Institucionais do governo, comentou com ironia as declarações do governador.

- É desejo do Arruda antecipar uma lei que tem no Congresso, e tal. Sobre negócio de ficha limpa, né? Dizendo que para ser seu secretário, a partir do ano que vem (2010), que não pode ser indiciado nem processado. Eu falei, pô, e então vai ter que acabar com a ficha do Arruda, né? Vai ter que acabar com a do Maciel (José Geraldo, chefe da Casa Civil, afastado sexta-feira). Todo mundo responde - disse Durval.

- Cê assentou numa cadeira do serviço público, não tenha dúvida que não leva um ano e você tem processo nas costas - acrescentou o próprio José Geraldo Maciel.

Outro trecho no inquérito registra conversa entre Durval e Arruda no dia 15 de outubro:

- Deixa eu pegar um negócio aqui antes que eu me esqueça - diz Durval, que se levanta do sofá e logo retorna com o dinheiro, que entrega ao governador. - Você lembra disso aqui?

- Ah! Ótimo. Você podia me dar uma cesta, um negócio aqui - responde o governador Arruda.

Durval se levanta e vai até sua mesa enquanto o governador prossegue:

- Eu tô achando que você podia passar lá em casa porque descer com isso aqui é ruim.

- Por quê? Não tem ... (trecho ininteligível) - diz Durval, que coloca o dinheiro dentro de um envelope pardo. Alguns momentos depois, o motorista identificado como Rodrigo, entra na sala para repassar um telefonema de um governador e Arruda pede que o envelope seja levado para o carro.

Em outro encontro, no dia 21 de outubro, Arruda menciona os pagamentos.

- Aquela despesa mensal com político sua hoje está em quanto? - questiona Arruda.

José Geraldo Maciel, chefe da Casa Civil do GDF, logo explica que os pagamentos estão fragmentados; e os políticos estão recebendo por duas fontes.

- Tá aqui a listinha - diz Maciel.

- Ué, ele não tem que unificar? - pergunta Durval.

-- Seiscentos é aquilo que sobra - responde Maciel

- Mas unificou tudo? - pergunta Arruda.