Título: Deputados enchem até meias de dinheiro
Autor: Éboli,
Fonte: O Globo, 30/11/2009, O País, p. 4

Imagens, gravadas em 2006, mostram presidente da Câmara Legislativa do DF enchendo bolso de notas

Evandro

BRASÍLIA.O presidente da Câmara Legislativa do Distrito Federal, deputado Leonardo Prudente (DEM) foi filmado por Durval Barbosa Rodrigues recebendo bolos de dinheiro, provavelmente originários de propina cobrada de empresas que participam de obras e prestam serviços ao governo do Distrito Federal. Prudente enche todos os bolsos do paletó e, não cabendo mais, ele começa a colocar maços de dinheiro nas meias.

A imagem, exibida ontem pelo "Fantástico", da TV Globo, foi gravada em 2006 e é mais uma prova para a denúncia de Durval de que existe um esquema de propina e pagamento de mesadas a deputados da base aliada, comandado pelo governador José Roberto Arruda. Depois que fez a denúncia à Polícia Federal e ao Ministério Público, em outubro passado, Durval passou a gravar encontros desse tipo com autorização judicial.

Operação foi antecipada por vazamento pelo STJ

Nas imagens mostradas ontem, todas feitas por Durval, aparecem ainda a líder do governo na Câmara Legislativa, Eurides Brito (PMDB), entrando na sala de Durval e recebendo o dinheiro, que guarda numa grande bolsa. Outros deputados como Júnior Brunelli (PSC também aparecem recebendo propina.

A reportagem da TV GLOBO mostrou ainda um vídeo em que o empresário José Celso Gontijo, da Construtora JC Gontijo, aparece entregando dois pacotes de dinheiro para Durval Barbosa.

Leonardo Prudente não vai se manifestar sobre o vídeo, alegando que não o viu, segundo a assessoria. Eurides Brito não foi localizada.

A operação que investiga o esquema de corrupção no governo do DF foi antecipada pela Polícia Federal após vazamento de informações do inquérito no Superior Tribunal de Justiça (STJ), segundo a subprocuradora-geral da República Raquel Elias Dodge. O governador José Roberto Arruda (DEM) e alguns de seus secretários tomaram conhecimento do inquérito ainda em outubro. Essas autoridades até sabiam que o informante era uma pessoa que fez um acordo de delação premiada, mas não tinham ideia de que se tratava de Durval Barbosa Rodrigues, então secretário de Relações Institucionais.

No dia 5 de novembro, Durval compareceu de forma espontânea à sede da PF e disse que havia se encontrado com o secretário da Casa Civil do GDF (Governo do Distrito Federal), José Geraldo Maciel, na noite anterior e que trataram da investigação. Segundo Durval, Maciel - outro beneficiário do esquema e que está afastado do cargo - lhe contou que a cúpula do governo do governo estava ciente do processo no STJ. Maciel disse a Durval que a fonte que passou a informação ao governador era "gente do STJ".

Na última quinta-feira, dia 26, a subprocuradora Raquel Elias Dodge, responsável pela investigação no Ministério Público, enviou ofício ao STJ informando que as investigações estavam encerradas naquele momento por conta do vazamento do conteúdo do processo para as autoridades investigadas.

"A Polícia Federal diz que havia planejado trabalhar sigilosamente com o colaborador e investigado por um período maior que o que se encerra neste momento. Entretanto, os investigados tiveram acesso indevido a informações protegidas por segredo de Justiça", diz Rachel Dodge no seu ofício.