Título: Pela qualificação
Autor:
Fonte: O Globo, 30/11/2009, Opinião, p. 6
A informação mergulhou na rede e multiplica-se. Não estamos falando de jornalismo. Estamos falando de uma nova forma de fazer fluir e acessar informações através de mídia eletrônica. Ninguém precisa de diploma para ter e-mail, blog, twitter etc. Basta estar vivo, ter conhecimento e acesso à tecnologia. Não há reserva de mercado para quem pensa, quer manifestar-se e usa esses serviços.
Mas tem gente confundindo o legítimo direito à manifestação através dos novos meios de comunicação com a qualificação de uma categoria de profissionais, que deve estar preparada para a interpretação e a contextualização da informação noticiosa. Falamos de jornalismo.
Jornalismo profissional exige bons cursos, preparo intelectual e autonomia legal. Jornalistas trazem em si um compromisso essencial com a verdade, assumem profissionalmente essa missão de risco. Indignam-se com a injustiça, entusiasmam-se em desmontar versões, vibram quando descobrem algo que pode mudar a vida das pessoas para melhor. Jornalistas decentes não se corrompem pela proximidade com o poder, percebem manobras de linguagem que deturpam a verdade e buscam servir à boa informação, apesar das dificuldades - como a pressão dos que consideram um risco conferir a uma categoria especializada o direito de investigar e divulgar informações de interesse da sociedade.
O jornalista não é um profissional qualquer. Precisa ter salvo-conduto formal da sociedade para enfrentar adversidades políticas, econômicas e sociais em seu nome. Jornalista, só com diploma. Abusos devem ser coibidos, como em qualquer outra profissão. A real evolução e consolidação dos princípios da justiça social exige condições realistas para o exercício da atividade jornalística, livre e responsável.