Título: Só uma empresa teria dado R$ 56,5 milhões
Autor: Éboli, Evandro
Fonte: O Globo, 29/11/2009, O País, p. 8
Recursos foram gastos para pagamento de despesas como programas de TV e rádio e estúdios de gravação
BRASÍLIA. As cifras do esquema de corrupção investigado pelo Superior Tribunal de Justiça (STJ) no Distrito Federal chegam a muitos milhões de reais. Entre 2004 e 2006, segundo denúncia de Durval Barbosa Rodrigues, José Roberto Arruda levantou R$56,5 milhões somente na Companhia de Planejamento para sua campanha ao governo. Este recurso teria sido gasto para pagamento de despesas como programas de TV e rádio, estúdios de gravação, pessoal e equipamentos de informática.
Mas parte desse dinheiro, segundo Durval, foi destinado a pagamento de propina para base aliada e adesão de outros políticos. Outros R$1,2 milhão foi recolhido junto à Codeplan sob o pretexto de pagar despesas do período da transição do governo de Joaquim Roriz para o de Arruda, entre outubro a dezembro de 2006.
Arruda seria sócio oculto da empresa Nova Fase
No depoimento que prestou ao Ministério Público, Durval afirmou que Arruda, já no cargo de governador, reconheceu uma dívida de R$37 milhões da empresa Linknet e disse que, desse montante, R$3 milhões ¿voltariam¿ para o governador. Em outro trecho, Durval diz que o governo fez um contrato de R$13 milhões com a empresa Nova Fase, da qual Arruda seria sócio oculto, segundo Durval. Desse total, R$5,9 milhões seriam repassados a Arruda, disse o delegado ao Ministério Público.
Outra prestadora de serviço na área de informática, a TBA fez um contrato de emergência com a Codeplan. Durval disse que foi uma contrapartida pelo fato de a empresa ter doado R$1 milhão para a campanha de Arruda. As denúncias de Durval tratam até mesmo de pagamento para que opositores de Arruda desistissem de disputar o governo do Distrito Federal. Teria sido o caso do ex-vice-governador, Benedito Domingos (PP), que, segundo Durval, recebeu R$6 milhões para desistir de disputar e facilitar o apoio dos evangélicos, sua base eleitoral, ao candidato do DEM.
A candidata Maria de Fátima Passos (PSDC), que concorreu com Arruda, teria recebido R$200 mil para não atacá-lo durante a campanha eleitoral. Durval também afirmou que o esquema ¿piorou muito¿ com Arruda governador. Ele afirmou que a atuação do grupo era ¿extorsiva¿ e que a captação de recursos continuou oriunda, principalmente, de prestação de serviços.
Ainda candidato, Arruda prometia faturas mensais
Ainda segundo a denúncia de Durval, a campanha de Arruda gastou mais de R$12 milhões com a chamada Casa dos Artistas, que funcionava na casa do deputado federal Osório Adriano (DEM) para reuniões política e gravação de programas, mas não declarou nenhum desses gastos à Justiça Eleitoral ou à Receita Federal. Essa casa foi depois utilizada pela equipe de transição.
Em reuniões com empresas que prestam serviço para o GDF, o então candidato Arruda, segundo Durval, pedia recursos para campanha ¿prometendo-lhe uma fatura mensal nunca inferior a R$5 milhões, assim que assumisse como governador¿.
Outra denúncia feita por Durval, e não muito bem esclarecida, teria sido a de uma contratação milionária, de R$289 milhões, pelo GDF, em 2007, para prestação de ser viços na área de educação.