Título: Sob a mira de paramilitares e corruptos
Autor: Bedoya, Jineth
Fonte: O Globo, 29/11/2009, O Mundo, p. 44

Do El Tiempo

BOGOTÁ. A Colômbia é um dos poucos países da América Latina em que os jornalistas não têm maiores problemas legais para exercer a profissão. No entanto, estão entre os mais silenciados por conta de ameaças e violência de grupos armados e funcionários corruptos. Entre 1977 e 2008, foram assassinados 136 jornalistas, em muitos casos após denunciarem casos de corrupção, temas relacionados à máfia e à violência de paramilitares e guerrilheiros. Uma situação que gerou também dezenas de sequestros e exílios.

Na Constituição de 1991 ficaram assegurados o direito de informar e de sigilo de fonte. Apesar disso, o jornalista não conta com respaldo legislativo para o ofício. Em 1988, a Corte Constitucional eliminou a carteira profissional para jornalista, argumentando que a exigência era uma forma de censura.

Embora os assassinatos tenham diminuído, nos últimos anos o acosso à imprensa aumentou.

Especialmente no interior, jornalistas se veem forçados a não concluir as investigações por pressão, muitas vezes, de autoridades e funcionários públicos. Em 2005, das 64 ameaças registradas, 90% estavam relacionadas a reportagens sobre corrupção ou paramilitarismo.

SIP pede retomada de processos de assassinatos Aumentou o uso de ações judiciais para forçar direitos de resposta e levar à prisão jornalistas sob a acusação de injúria e calúnia. Um caso emblemático é a ordem de prisão contra o diretor da revista ¿Semana¿, Alejandro Santos, após o juiz José Alfredo Escobar exigir a retificação de uma reportagem contra ele. Apesar de a revista ter dado a correção duas vezes, o juiz argumentou que a correção não seguiu as condições do texto original.

Os jornalistas colombianos denunciam também o acosso do governo: Daniel Coronel, diretor do telejornal Noticias Uno, foi seguido ilegalmente pelo DAS, o Departamento Administrativo de Segurança colombiano.

Em outra frente, a Sociedade Interamericana de Imprensa pede à Procuradoria que retome os processos sobre jornalistas assassinados. Muitos estão suspensos.

No caso do jornalista Jota Everardo Aguilar, semana passada um juiz absolveu o acusado do crime ocorrido em abril em Cauca, apesar de a filha da vítima ter reconhecido o réu.