Título: Em resposta a Mantega, presidente do BC diz que sempre falou do social
Autor: Novo, Aguinaldo
Fonte: O Globo, 01/12/2009, Economia, p. 26

Ministro da Fazenda havia afirmado que Meirelles adotara "novos hábitos"

SÃO PAULO e BRASÍLIA. O presidente do Banco Central (BC), Henrique Meirelles, usou ontem dois eventos diferentes em São Paulo para justificar a menção em seus discursos à melhora dos indicadores sociais do país, que só foi obtida com a estabilidade da economia nos últimos anos.

Segundo Meirelles, essa preocupação sempre existiu no BC.

¿ Algumas pessoas às vezes brincam comigo que o Banco Central agora fala sobre desigualdade de renda, de questões sociais. Eu sempre falei disso. É muito importante num país como o Brasil mencionar que a estabilidade econômica não é apenas um índice financeiro teórico. Estabilidade econômica é um benefício tangível para a população, via criação de empregos, diminuição de desigualdade ¿ disse ele em discurso durante seminário na Federação das Indústrias do Estado de São Paulo (Fiesp).

Meirelles: estabilidade ajuda na distribuição de renda Meirelles voltou ao assunto, em entrevista a jornalistas, pouco antes de encerrar um debate da Fundação Getulio Vargas (FGV) com executivos do mercado financeiro.

¿ A estabilidade alonga horizontes, aumenta o investimento, preserva o poder de compra, a distribuição de renda.

Falo isso há muito tempo.

Na semana passada, durante jantar organizado pela Federação Brasileira dos Bancos, o ministro da Fazenda, Guido Mantega, sugeriu que o colega do BC passou a se interessar pelo tema depois de confirmar o interesse em concorrer nas eleições do próximo ano. Meirelles, que se filiou ao PMDB, é apontado como possível candidato ao governo de Goiás.

¿ Está falando cada vez mais do social. Não sei se são os novos hábitos de banqueiro ou de político ¿ provocou o ministro da Fazenda na ocasião.

Meirelles disse que não existe ¿nenhum ruído¿ entre os dois. Ainda assim, ele pediu a sua assessoria para fazer um levantamento de seus discursos mais recentes.

¿ De 23 palestras feitas desde junho, em 16 falei na questão da desigualdade de renda e em 13, sobre todos os indicadores sociais ¿ disse ele.

O novo diretor de Política Monetária do BC, Aldo Mendes, defendeu ontem que os juros aos consumidores finais podem continuar caindo, mesmo que a taxa básica do país continue estagnada. Isso porque, segundo ele, os spreads ¿ diferença entre o custo de captação dos bancos e os juros cobrados ao consumidor final ¿ tendem a continuar recuando. Mendes, que assumiu como diretor do BC ontem, vai participar da próxima reunião do Comitê de Política Monetária (Copom), nos dias 8 e 9 de dezembro. A expectativa geral do mercado é que a decisão do Copom seja manter, pela terceira vez seguida, a taxa básica Selic em 8,75% ao ano