Título: PF contesta defesa de Arruda e diz aque áudio de escutas está intacto
Autor: Carvalho, Jailton de
Fonte: O Globo, 02/12/2009, O País, p. 4

Por causa de uma pane, apenas a imagem registrada pela câmera foi danificada

BRASÍLIA. O relatório final da Polícia Federal sobre a Operação Caixa de Pandora deverá desmontar uma das principais linhas de defesa do governador do Distrito Federal, José Roberto Arruda (DEM).

Ele é apontado como o chefe da organização acusada de cobrar propina de empresas com contratos no governo e de repassar parte do dinheiro para deputados e políticos da base aliada.

Um policial informou ao GLOBO que a instituição dispõe da íntegra do áudio da conversa em que Arruda e o ex-secretário de Relações Institucionais Durval Barbosa combinam, em 21 de outubro, a partilha de dinheiro, o chamado mensalão do DEM do DF.

O diálogo foi gravado com autorização do Superior Tribunal de Justiça (STJ).

Anteontem, após três dias de silêncio, Arruda disse que as gravações da conversa entre ele e Durval foram danificadas por problemas nos equipamentos, e que não poderiam ser usadas como provas. No diálogo, Arruda e Barbosa conversam sobre a distribuição de dinheiro recolhido por Durval com empresários que assinaram contratos com o governo.

Polícia tem 50 vídeos, alguns com até uma hora de duração A PF explicou que só parte da gravação das imagens foi prejudicada. A câmera, instalada na roupa de Durval, sofreu uma pane no momento da gravação. Mas o gravador registrou a conversa na íntegra.

Para a PF, essa é uma das principais provas contra Arruda; o material deverá amparar parte das acusações contra o governador.

¿ Em virtude de falha no equipamento, apenas parte da situação foi gravada em vídeo.

O áudio, entretanto, foi obtido em sua integralidade.

Tanto as gravações em áudio quanto em vídeo foram autorizadas pela Justiça, logo, são provas legítimas ¿ disse uma autoridade que acompanha as investigações.

A polícia sustenta ainda que dos autos constam todos os vídeos gravados por Durval nos últimos anos. São registradas cenas de empresários, políticos e auxiliares de Arruda recebendo e escondendo dinheiro em bolsas, bolsos, meias e cuecas. São mais de 50 filmes, alguns com quase uma hora de duração.

Todos os vídeos serão periciados.

Caberá à subprocuradorageral Raquel Dodge decidir quais cenas vão sustentar as acusações.

José Gerardo Grossi, um dos advogados de Arruda, disse que pedirá perícia dos vídeos gravados por Durval. Segundo Grossi, ninguém pode afirmar categoricamente que as cenas mostradas são verdadeiras ou falsas.

PF ainda não encontrou dinheiro marcado A PF ainda analisa os R$ 700 mil, US$ 30 mil e C 5 mil apreendidos em 12 endereços sextafeira. Até ontem, os peritos não tinham encontrado nos pacotes de dinheiro as notas marcadas pelo serviço de inteligência.

Antes de uma das rodadas de pagamento da propina, Durval chamou a PF para fotografar e marcar as notas.

Essa seria mais uma forma de documentar o caminho percorrido pelo dinheiro. Mas as primeiras indicações são as de que o dinheiro, partilhado na chamada ação controlada, não foi recuperado