Título: Garcia usa bombardeio de ideias contra críticas
Autor: Duarte, Fernando
Fonte: O Globo, 04/12/2009, O Mundo, p. 39
Assessor especial da Presidência afirma que Brasil não abre espaço a cotoveladas
BERLIM. O assessor especial da Presidência, Marco Aurélio Garcia, rebateu ontem acusações de que o Brasil esteja tentando abrir espaço no cenário internacional ¿a cotoveladas¿ , numa referência a críticas da imprensa americana. E aproveitou para dar uma alfinetada e disse que a força do país está nas ideias: ¿ Quem tem hábito de dar cotovelada acha que todo mundo dá. Não nos afiançamos por força das armas ou bomba nuclear.
Nosso bombardeio é de ideias ¿ disse, em Berlim.
Segundo Garcia, o Brasil foi ¿catapultado a uma posição de maior evidência¿, levado pelas circunstâncias.
¿ Não queríamos protagonismos, ou hegemonismo. Se a política nos leva às posições é outro problema. Temos valores e princípios que nos levam à esfera internacional.
Garcia acompanha o presidente Luiz Inácio Lula da Silva na Alemanha. Perguntado sobre a questão de Honduras, explicou que o Brasil não questiona se houve participação ou fraude no processo eleitoral, mas uma eleição sob ¿golpistas¿.
¿ O processo foi cercado de restrições, houve estado de sítio, invasões de rádios e jornais.
Foi uma tentativa de branquear o golpe de Estado. O mandato de um presidente foi interrompido de forma ilegal.
O assessor observou que ¿um golpe de Estado, sobretudo um golpe invocado como preventivo, é uma ameaça para o futuro¿.
¿ Não há razão para nos vendermos à realização dessas eleições, pois estaríamos consagrando o golpe de Estado como forma de fazer política. O Brasil continuará debatendo junto à OEA. Nosso protagonismo não foi voluntário. Tínhamos campanha discreta, apoiando a OEA, aí o Zelaya, sem nosso conhecimento, buscou abrigo na embaixada brasileira. (F.D.)