Título: IPCC critica posição americana na COP-15
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Fonte: O Globo, 07/12/2009, Ciência, p. 30

Mas secretário-geral da conferência vê grande chance para avanços concretos

UM URSO de gelo, instalado em Copenhague, simboliza o aquecimento da Terra

COPENHAGUE. A 15ª Conferência das Partes da Convenção de Mudanças Climáticas das Nações Unidas (COP-15) começa hoje em Copenhague sob críticas à posição americana. O presidente do Painel Intergovernamental sobre Mudanças Climáticas (IPCC, sigla em inglês), Rajendra Pachauri, afirmou ontem que os Estados Unidos podem fazer mais do que prometeram pela redução das emissões de dióxido de carbono e de outros gases causadores do efeito estufa.

Para o indiano, Nobel da Paz em 2007, "há espaço para ir além daquilo que será legislado", referindo-se à Lei do Clima emperrada no Senado americano. Em entrevista, Pachauri disse que o poder executivo dos EUA pode agir para melhorar a eficiência energética e oferecer incentivos para que se invista em transporte público limpo.

"A mais importante cúpula desde o fim da II Guerra"

Mais de 17 mil participantes de 192 países começaram a chegar a Copenhague para a conferência, que termina no dia 18. Ontem, o economista britânico Nicholas Stern, autor do mais significativo estudo sobre o impacto econômico das mudanças climáticas, afirmou que "a COP-15 é a mais importante cúpula mundial desde o fim da Segunda Guerra".

Stern apresentou ontem outro estudo, de tom mais otimista, dizendo que as promessas de metas de países desenvolvidos avançaram e se aproximaram mais das necessárias. O diretor do Programa de Meio Ambiente da ONU, Achim Steiner, disse estar confiante de que dezembro verá o mundo selar um acordo importante.

- Estavam errados aqueles que diziam que um acordo em Copenhague era impossível - declarou Steiner.

O secretário-executivo da COP-15, Yvo de Boer, disse ter certeza de que o encontro vai resultar em um abrangente e ambicioso pacto climático internacional.

- A hora é essa. Nas próximas duas semanas esperamos que os governos atuem. E estou otimista. Nunca, em 17 anos de negociações do clima, tivemos tantos governos comprometidos - afirmou o secretário-geral da CO-15.

De Boer disse que o momento político para se alcançar um acordo global é sem precedentes.

- Os negociadores agora contam com os indícios mais claros dos líderes mundiais de que eles estão dispostos a elaborar propostas sólidas para implementar ações rápidas - disse o secretário-executivo.

De Boer listou os compromissos que os governos têm que firmar nas próximas semanas: implantação de ações contra os efeitos das mudanças climáticas; empenho nos cortes de emissões de gases, incluindo o direcionamento de fundos para esse fim; e um futuro de baixas emissões para todos.

Em termos práticos, os compromissos apontados pelo secretário-executivo da conferência exigirão das nações desenvolvidas financiamentos na ordem de US$10 bilhões por ano até 2012 para que países em desenvolvimento lancem as bases de seu plano de baixas emissões.

Para garantir a segurança nos 12 dias da conferência climática, um enorme aparato de segurança foi montado na capital dinamarquesa. A cidade vai receber 100 líderes de países, mas o esquema de segurança é tão rigoroso que já suscita acusações de exagero por alguns críticos.

- Essa é certamente a maior operação policial que já tivemos na história da Dinamarca - afirma Per Larsen, o coordenador-chefe da polícia da Copenhague.

Pessoas podem ser presas sem acusação formal

Segundo Larsen, US$122 milhões serão gastos para assegurar a segurança na cidade, especialmente no Bella Centre, quartel-general da COP-15, onde veículos só poderão entrar depois de atravessar postos policiais altamente equipados.

Por leis recém-aprovadas, pessoas podem ser presas por até 40 dias por "obstruir a ação policial". E manifestantes considerados problemáticos podem ser detidos por até 12 horas sem acusação formal. A polícia preparou ainda um centro de detenção de emergência, nas redondezas da capital.