Título: As metas dos países
Autor: Berlinck, Deborah
Fonte: O Globo, 07/12/2009, Ciência, p. 31
BRASIL: Apresentou um compromisso voluntário de reduzir as emissões entre 36,1% e 38,9% em 2020. Cálculos da Fundação Brasileira para o Desenvolvimento Sustentável (FBDS), divulgados sábado por Míriam Leitão, mostram que, na prática, a proposta representa chegar a 2020 com 15% de emissão a mais do que se tinha em 1990 e 22% a menos do que em 2005.
ESTADOS UNIDOS: O presidente Barack Obama prometeu que em 2020 os EUA emitirão 17% menos CO2 em relação aos índices de 2005. Mas isso representa um corte de só 5,5% em relação aos níveis de 1990 (ano-base usado pela ONU). Os EUA buscam uma redução de 41% em 2030 e de 83% em 2050. Porém, para tornar as metas em realidade, Obama precisa que o Senado aprove a Lei do Clima, emperrada há meses.
CHINA: Como o Brasil, a China também tem um compromisso voluntário. O país não aceita metas compulsórias. Pequim promete diminuir a chamada intensidade de carbono - a medida de emissão de dióxido de carbono por unidade de produção - entre 40% e 45% em 2020, comparado aos níveis de 2005. Pelas contas da FBDS, isso significa um aumento de 253% em relação a 1990 e de 90% a 2005.
UNIÃO EUROPEIA: Tem a meta compulsória de cortar 20% das emissões em 2020 em relação a 1990. Os europeus poderiam chegar a uma redução de até 30% se outros países desenvolvidos tomarem medidas semelhantes.
ÍNDIA: Planeja reduzir a taxa de crescimento de emissões a até 25% em 2020, em comparação aos níveis de 2005. O compromisso voluntário indiano é semelhante ao brasileiro e ao chinês: o país não emitirá menos que em 2005, mas sim deixará de aumentar acima de certo nível em 2020.
INDONÉSIA: Em 2020 poderá emitir 26% a menos em relação a 2009. Se receber financiamento, esse corte poderia chegar a 41%.
JAPÃO: Apresentou a meta de em 2020 emitir 25% a menos gases-estufa em relação a 1990. Porém, os japoneses só farão isso se outros países desenvolvidos apresentarem metas parecidas. O Japão também não especificou como conseguiria fazer os cortes.
AUSTRÁLIA: Também ofereceu metas vagas. Diz que poderia diminuir suas emissões de gases-estufa em 25% abaixo dos níveis de de 2020. Mas o Parlamento australiano tem barrado todas medidas do governo para combater o aquecimento global.
RÚSSIA: Poderia cortar 25% das emissões em 2020, se outros países industrializados fizerem o mesmo.
CANADÁ: Planeja diminuir em 2020 o lançamento de gases em 20% comparado ao nível de 2006. Isso representa, porém, um corte de só 3% em relação ao emitido em 1990.
NOVA ZELÂNDIA: Cortes de 10% a 20% abaixo dos níveis 1990 em 2020.
NORUEGA: Ofereceu cortar as emissões em até 40% abaixo do nível de 1990 em 2020.
COREIA DO SUL: Anunciou que vai cortar as emissões em 4% abaixo de 2005 em 2020.
MÉXICO: Propôs reduzir as emissões em 50% abaixo dos níveis de 2000 em 2050. Mas quer em troca ajuda financeira e técnica.
ÁFRICA DO SUL: Ainda não propôs nada.