Título: Fornecedores dizem nõa temer fusão
Autor: Carneiro, Lucianne; Duarte, Patrícia
Fonte: O Globo, 05/12/2009, Economia, p. 36
Analistas preveem política agressiva de negociação de preços com fabricantes
CAMINHÕES DEIXAM depósito das Casas Bahia, em Jundiaí, São Paulo: união com Pão de Açúcar pode trazer prejuízo a fabricantes
A fusão de gigantes do varejo nacional deverá pressionar os fabricantes de bens duráveis, como eletroeletrônicos e móveis. Analistas preveem que os fornecedores tendem a sofrer com uma política mais agressiva de negociação de preços de seus produtos. O próprio diretor-executivo das Casas Bahia, Michael Klein, disse ontem que uma grande empresa, como a que está sendo criada, melhorará a negociação com fornecedores, beneficiando o consumidor:
¿ Será um setor de compras único. Em alguns casos, o preço nas Casas Bahia será o mesmo do Ponto Frio. O Ponto Frio absorve um tipo de consumidor das classes A e B, mas o fornecedor é o mesmo para produtos vendidos na Casas Bahia.
¿ A tendência é sufocar fabricantes de eletroeletrônicos e concorrentes ¿ diz, por sua vez, Eduardo Halpern, diretor de Pós-Graduação da ESPM/RJ.
Para o consultor de varejo do Grupo Azo Marco Quintarelli, a indústria de eletroeletrônicos ¿vai ficar na mão de poucos grandes players¿ na negociação de preços. Ele também não vê perspectivas de alta de preços de produtos por causa da concentração de mercado.
¿ Se forem mantidas marcas separadas, com diferentes nichos de mercado, não acredito em alta de preços. Acho que quem vai sofrer é o fabricante ¿ diz Quintarelli.
A negociação mais agressiva com fornecedores pode estimular o fortalecimento de outros canais de distribuição e de vendas diretas, diz Claudio Felisoni, presidente do Programa de Administração de Varejo (Provar). Ele cita o exemplo da Dell, que já vende diretamente a clientes.
¿ A queda da taxa de juros e as mudanças na regulamentação de cartões de crédito põem em xeque o modelo de negócios das Casas Bahia ¿ disse.