Título: Metade dos gases-estufa vem da pecuária
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Fonte: O Globo, 11/12/2009, Ciência, p. 40
PECUÁRIA EM Porto Velho: baixa média de cabeças de gado por hectare incentiva novas queimadas
Até 50% das emissões brasileiras de gases-estufa vêm da pecuária, segundo estudo apresentado ontem pelo Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (Inpe), considerando o período entre 2003 e 2008. O levantamento foi o primeiro a medir o impacto de toda a cadeia produtiva dessa atividade sobre o volume de emissões de gases-estufa do país. Embora os índices de desmatamento tenham regredido, a equipe responsável pelo trabalho critica a baixa produtividade por hectare - o que contribui para a expansão de queimadas - e a falta de regulamentação dos frigoríficos, que compram carne de áreas exploradas ilegalmente.
Na Amazônia, segundo o Inpe, 75% do desmatamento devem-se à implantação de novas pastagens. No Cerrado, este índice é de 56%. A emissão total associada à pecuária nesses biomas pode ter chegado a 1,09 bilhão de toneladas de CO2 no período estudado.
Em outubro, o Ministério do Meio Ambiente anunciou que a agropecuária seria responsável por 25% das emissões de dióxido de carbono do país. A diferença em relação àquele levantamento é que este considera não apenas a criação de gado, como o desmatamento necessário para viabilizar a atividade.
- Mesmo em anos de menor desmatamento, a pecuária é responsável por, pelo menos, 40% das emissões de gases-estufa do Brasil - alerta o climatologista do Inpe Carlos Nobre, um dos coordenadores do estudo. - Por isso acreditamos que este setor econômico oferece a maior oportunidade de mitigação. É preciso investir na eficiência da cadeia produtiva e na recuperação das pastagens.
Segundo a ONG Amigos da Terra/Amazônia Brasileira, que participou da elaboração da pesquisa, hoje a ocupação média no país é de uma cabeça de gado por hectare, embora exista tecnologia para que este índice seja triplicado.
- O melhor uso do espaço implicaria em um investimento com retorno econômico direto - garante Roberto Smeraldi, diretor da ONG. - O animal chegaria à engorda mais rapidamente, faria menos fermentação e, por isso, liberaria menos gases-estufa.