Título: Brasil puxará avanço da AL em 2010
Autor: Almeida, Cássia; Batista, Henrique Gomes
Fonte: O Globo, 11/12/2009, Economia, p. 33
PIB do país no 3º tri frustra, mas Cepal vê região saindo rapidamente da crise
BRASÍLIA. A recuperação das economias da América Latina e do Caribe será mais rápida do que se esperava há alguns meses devido às políticas anticíclicas adotadas pelos governos, embora o crescimento de 1,3% do PIB brasileiro no terceiro trimestre tenha ficado abaixo das expectativas iniciais da Comissão Econômica para a América Latina e Caribe (Cepal). A região como um todo deve crescer 4,1% em 2010. O Brasil lidera a lista dos países com maior taxa de crescimento prevista para o ano que vem, com 5,5%, seguido por Peru e Uruguai (ambos com 5%), Bolívia, Chile e Panamá (4,5%) e Argentina e Suriname (4%).
Para este ano, contudo, mantêm-se os prognósticos negativos: a queda de 1,8% no PIB da região deve pôr fim a um ciclo de seis anos de crescimento. O PIB per capita deve cair 2,9%. Para o Brasil, a expectativa é de um modesto crescimento de 0,3%.
Desemprego na região deve atingir 8,3% este ano
Dez dos 20 países latino-americanos estão em recessão e terão importante queda do PIB este ano. O México é o que está em pior situação (-6,7%), seguido por Paraguai e Honduras, com quedas de 3,5% e 3%, respectivamente.
Para os países desenvolvidos, a Cepal estima queda de 3,6% do PIB, contra crescimento de 1,7% para as nações em desenvolvimento. No ano que vem, os dois grupos crescem, mas a diferença continua grande. As economias desenvolvidas devem avançar 1,4%, ante 5,3% daquelas em desenvolvimento.
A médio prazo, a Cepal já traça um novo cenário internacional, menos favorável ao crescimento da América Latina do que aquele dos anos de bonança de 2003 a 2008.
"Isso cria a necessidade urgente de se redefinirem os padrões de especialização produtiva, incentivos à inovação, incorporação de conhecimento e busca de novos mercados, com forte participação de países asiáticos", diz o Balanço Preliminar das Economias da América Latina e Caribe 2009, divulgado ontem em Santiago do Chile.
A situação do mercado de trabalho na região também tende a melhorar. As expectativas para o desemprego ainda são bastante negativas, com taxa de 8,3% este ano. Porém, no início de 2009, a entidade previa um desemprego de 9%. As maiores quedas na ocupação serão registradas no México, na América Central e no Caribe.
A Cepal já alerta para o risco de inflação nos países latino-americanos durante o crescimento a partir de 2010. A crise fez a inflação regional cair de 8,3% em 2008 para 4,5% em 2009.