Título: Analistas veem queda de até 0,5% este ano, mas elevam projeção para 2010
Autor: Almeida, Cássia; Batista, Henrique Gomes
Fonte: O Globo, 11/12/2009, Economia, p. 33
Para o próximo ano, estimativas variam de uma alta de 5% a 6,5%
LINHA DE MONTAGEM da Positivo Informática, de Curitiba: produção vai crescer 37% para atender a demanda
Cássia Almeida, Henrique Gomes Batista, Liana Melo e Juliana Rangel
Depois de absorver a frustração com o resultado da economia no terceiro trimestre, as projeções para 2009 foram revisadas e é praticamente unânime a expectativa, entre os analistas, de uma ligeira queda no Produto Interno Bruto (PIB, soma de bens e serviços do país) este ano. Seria o primeiro resultado negativo em 17 anos. Só que, para 2010, a perspectiva é de crescimento forte, de até 6,5%, e muitos economistas estão refazendo para cima seus cálculos para o próximo ano.
As novas projeções para 2009 são de uma queda de até 0,5% no PIB, segundo cálculos do Banco Itaú. A LCA Consultores, mais otimista, ainda prevê uma ligeira expansão da economia, de 0,2%.
- O ano de 2009 está perdido - avalia Régis Bonelli, pesquisador sênior do Instituto Brasileiro de Economia (Ibre), da Fundação Getulio Vargas (FGV), comentando que os economistas foram induzidos ao erro devido à revisão cos cálculos feita pelo IBGE.
Empresa de computadores aumenta produção em 37,5%
O economista-chefe da Concórdia Corretora, Élson Teles, por sua vez, admite que o resultado do terceiro trimestre frustrou as expectativas, o que levou a uma revisão do PIB de 2009, de um crescimento de 0,2% para queda de até 0,3%:
- A economia está crescendo na margem, mas o ritmo é inferior ao sinalizado pela leitura anterior do PIB. O resultado do terceiro trimestre sugere que o ritmo de preenchimento da capacidade ociosa não está tão forte como se pensava.
O economista Felipe França, da ABCBrasil, reduziu a projeção para 2009 de 0,2% positivo para 0,3% negativo, mas ressalta que o PIB do terceiro trimestre mostrou uma "recuperação vigorosa e ainda sustentável" da economia brasileira.
O Comitê de Acompanhamento Macroeconômico da Associação Brasileira das Entidades dos Mercados Financeiro e de Capitais (Anbima) também deverá revisar para baixo sua previsão de crescimento do PIB este ano, que, por enquanto, ainda considera uma expansão de 0,2%. O economista-chefe do Barclays, Marcelo Salomon, que faz parte do comitê da Anbima, acredita, no entanto, que a tendência de recuperação econômica está solidificada:
- O cenário continua qualitativamente o mesmo.
Analista alerta para risco de mais gastos públicos
A expectativa generalizada dos analistas para 2010 é de um forte crescimento econômico, que pode chegar a 6,5% nas projeções mais otimistas. O crescimento fraco de 2009 explica parte desse otimismo para o ano que vem - com a base de comparação fraca, ficará mais fácil para a economia avançar. E os sinais de retomada mais vigorosa neste fim de ano dão impulso ao crescimento de 2010.
Francisco Pessoa Faria, economista da LCA consultores, explica que um crescimento forte no quarto trimestre (ele prevê expansão de 5%) vai ajudar na estatística de 2010. Isso porque o país já começará o ano num patamar bem superior ao da média de 2009. Segunda Faria, apenas esse efeito - chamado de carregamento estatístico - será responsável por uma alta de 3% no PIB de 2010.
Os sinais de vigor da economia neste último trimestre são nítidos no chão da fábrica, como comprova a Positivo Informática, maior fabricante de computadores do país, com sede em Curitiba. A empresa decidiu ampliar a produção de equipamentos em 37,5%. Por mês, sairão de sua linha de montagem 330 mil computadores, contra os atuais 240 mil. No terceiro trimestre, as vendas da Positivo subiram 20,9%.
Para os analistas, o crescimento acende, porém, um sinal de alerta. Em seu relatório, a MB Associados afirma temer que o governo possa sentir "uma comichão irrefreável" de aumentar ainda mais os gastos públicos no próximo ano.