Título: Policiais manipulam e distorcem provas
Autor: Passos, José Meirelles
Fonte: O Globo, 13/12/2009, O País, p. 13

GLOBO: O estudo da Human Rights Watch sugere que a violência policial em São Paulo, causada pela morte de suspeitos que resistem à prisão, ou cometida supostamente em legítima defesa, é bem menor que a do Rio de Janeiro. Como se explica essa diferença? JOSÉ MIGUEL VIVANCO: O crime organizado no Rio de Janeiro é mais forte, conta com armamentos pesados e controla centenas de comunidades.

Reconhecemos isso, e levamos em conta esse enorme desafio. Deixei isso bem claro na conversa que tive com o governador Sérgio Cabral, na véspera da divulgação do informe. Mas não se pode combater as facções envolvidas com o tráfico de drogas usando excessiva força letal e, principalmente, aplicando a força de forma ilegal. Registramos no estudo muitos casos em que policiais manipulam, distorcem ou não preservam as provas essenciais para que se possa determinar se, de fato, mataram alguém em legítima defesa, como alegam

ENTREVISTA José Miguel Vivanco

O mais recente informe sobre violência policial no Rio de Janeiro e em São Paulo, feito pela Human Rights Watch e divulgado na semana passada, deixou indignadas as autoridades locais. No entanto, o chileno José Miguel Vivanco, diretorexecutivo da Divisão Américas da ONG, sugeriu que, apesar das declarações públicas repudiando o estudo, houve nos bastidores uma admissão de que é preciso evitar abusos que exacerbam a violência.

¿Se acreditarmos que direitos humanos não são parte da equação da segurança pública, estamos perdidos