Título: Groenlândia derrete depressa
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Fonte: O Globo, 15/12/2009, Ciência, p. 31
E mar sobe. Cientista diz que países-ilha já são passado COPENHAGUE.
As negociações da COP-15 estão quase paradas, mas o degelo da Groenlândia segue acelerado. E bem mais do que se imaginava. Só na última década, a taxa de degelo triplicou no interior da ilha. E o número de icebergs ¿ resultado da quebra de blocos maiores ¿ cresceu 30%. Os dados foram apresentados em Copenhague pelo Programa de Monitoramento do Ártico. O derretimento da Groenlândia representa elevação do nível do mar. ¿ O ritmo de alteração do gelo da Groenlândia é surpreendente ¿ afirmou a principal autora do estudo, Dorthe Dahl-Jensen, da Universidade de Copenhague. A perda de gelo na forma de icebergs passou de 330 bilhões de toneladas em 1995 para 430 bilhões de toneladas em 2005. O interior da ilha, que há 20 anos era considerado domínio do gelo eterno, derrete. De 1995 a 2000, a perda era de 50 bilhões de toneladas por ano. Mas de 2003 a 2006 aumentou para 160 bilhões. Enquanto a temperatura média do planeta subiu 0,7 grau Celsius, na Groenlândia chegou a 1,4 grau. E isso na média, pois em regiões costeiras a elevação alcança 4 graus Celsius durante o inverno. A elevação da temperatura média do planeta em 2 graus Celsius, que é a meta negociada em Copenhague, já será suficiente, segundo os especialistas, para mudar a face do Ártico, com consequências para o restante da Terra. Uma elevação do nível do mar em um metro pode ter efeitos trágicos. E entre os mais vulneráveis estão os países insulares. ¿ As ilhas já eram, são história ¿ afirmou Robert Carrell, do Centro John Heinz para Ciência, Economia e Meio Ambiente, nos Estados Unidos, assegurando que todos os governos estão cientes dos novos números e de suas implicações. Um outro estudo divulgado ontem revelou que 70% das mortes registradas desde o início do ano em desastres naturais são relacionadas a eventos climáticos extremos.(D.B e R.J.)