Título: Produção recua 0,5% nos EUA
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Fonte: Correio Braziliense, 16/05/2009, Economia, p. 22

Atividade industrial volta a registrar redução em abril. Apesar disso, o tombo foi bem menor na comparação com a queda de 1,7% em março, indicando sinais de recuperação em alguns setores

A produção industrial dos Estados Unidos retrocedeu 0,5% em abril em relação a março, após queda revisada de 1,7% no mês anterior. Os dados foram divulgados ontem pelo Federal Reserve (Fed), o Banco Central americano, e mostraram que o resultado foi melhor que o esperado, ficando acima do declínio de 0,6% projetado por analistas. Com o desempenho do quarto mês do ano, a produção industrial acumula recuo de 12,5%.

O Fed também informou que a utilização da capacidade instalada nos EUA foi reduzida para 69,1% no mês passado, configurando o menor nível desde que os registros começaram a ser feitos, em 1967. O uso da capacidade em março foi revisado para 69,4%, de estimativa original de 69,3%. Economistas esperavam uso do parque fabril de 68,9% em abril. Um dos destaques foi a produção de veículos a motor e peças, que subiu pelo terceiro mês consecutivo, encerrando abril com alta de 1,4%.

De forma desagregada, e já antecipando dados de maio, o índice da atividade industrial na região de Nova York se manteve fraco nos primeiros dias deste mês. Por outro lado, caiu a um ritmo menos acelerado do que em abril, segundo o índice Empire State divulgado pelo Fed de Nova York. O índice ganhou 10,1 pontos para ficar em -4,6 pontos, superando assim as expectativas dos analistas, que previam uma alta para -12 pontos. Um índice negativo significa contração da atividade.

Investimento No investimento, a informação é que os Estados Unidos voltaram a atrair capital estrangeiro após dois meses de baixa. A melhora ocorreu graças ao renovado interesse dos investidores chineses pelos títulos de obrigações do Tesouro americano. A alavancagem proporcionada pelos chineses repercutiu na balança americana de capitais, que fechou em azul em março, com saldo positivo de US$ 23,2 bilhões. O saldo positivo ocorreu após os déficits de US$ 91 bilhões de fevereiro e de US$ 143,5 bilhões em janeiro, conforme informações do Tesouro americano.

O superávit na balança de capitais parece tranquilizador para a economia americana, que vem necessitando de imenso financiamento por parte do Estado, essencialmente, para impulsionar a atividade neste período de crise. Depois da promulgação, em fevereiro, do plano de recuperação de US$ 787 bilhões em três anos, março foi marcado por uma grande quantidade de emissões de títulos do Tesouro: a dívida pública chegou a aumentar em US$ 250 bilhões em apenas 31 dias. Portanto, segundo os analistas, é considerado essencial que os Estados Unidos voltem novamente a atrair capitais. Em abril, a dívida pública aumentou outra vez em mais de US$ 110 bilhões.

Os investidores chineses, privados ou estatais, que são os maiores depositários de títulos do Tesouro americano. Vindos de Hong Kong ou da China continental, no fim de março possuíam títulos no valor de US$ 846,8 bilhões, US$ 26,3 bilhões a mais que no mês anterior.

Preços Também nos EUA os preços ao consumo se mantiveram estáveis em abril em relação a março, mas baixaram 0,7% na comparação com igual mês de 2008 Em março, eles haviam diminuído 0,1%. Em variação anual, o índice registrou seu segundo mês consecutivo de baixa, recuando 0,7%, o ritmo mais acelerado desde junho de 1955. Fora energia e alimentação, os preços ditos de base aumentaram em abril 0,3% na comparação com o mês anterior. O departamento do Trabalho explicou este dado pela forte alta dos impostos sobre cigarro. A inflação de base em um ano, que é de 1,9%, se manteve muito próxima do nível considerado desejável pelo Fed.