Título: Minc responderá por troca de favores
Autor: Damé, Luiza
Fonte: O Globo, 16/12/2009, O País, p. 8

Comissão de Ética Pública abre processo contra ministro, que teria combinado contratações

BRASÍLIA. A Comissão de Ética Pública decidiu ontem abrir processo ético-disciplinar contra o ministro do Meio Ambiente, Carlos Minc, por causa da troca de favores com a deputada federal Cida Diogo (PT-RJ).

Em abril, a deputada contratou como funcionária de seu gabinete Maria Margarida Parente Galamba de Oliveira, a Guida, mulher de Minc. Logo depois, Minc retribuiu a gentileza e contratou a servidora Flávia Martins Marques, que trabalhava no gabinete de Cida e foi demitida, abrindo vaga para Guida, como publicou O GLOBO em julho.

O advogado Roberto de Figueiredo Caldas, integrante da comissão que vigia o comportamento de altas autoridades da República, foi indicado relator do processo e definirá os prazos para que Minc responda. A comissão analisou a reportagem do GLOBO, e não ficou satisfeita com as explicações de Minc. Os conselheiros não identificam o caso como nepotismo cruzado, mas veem indícios de desvio de conduta ética. Minc, que está em Copenhague, foi procurado pelo GLOBO, assim que a decisão da comissão foi divulgada, mas não foi encontrado.

Na época, O GLOBO constatou que a funcionária exonerada do gabinete de Cida, e contratada pelo Meio Ambiente, continuava prestando serviços para a deputada, inclusive fazendo acompanhamento de projetos nos ministérios. Flávia foi lotada na Secretaria de Recursos Hídricos e Ambiente Urbano do ministério, na função de gerente de projetos. Na secretaria, os servidores não a conheciam. Mas, na época, o chefe de gabinete de Minc, Ivo Bucaresky, disse que ela era sua assessora.

A mulher de Minc cumpria expediente na Câmara de terça a quinta, assessorando Cida na área ambiental. Guida foi contratada com salário de R$ 4.020 e não trabalha mais no gabinete.

Ministro e deputada são aliados políticos Flávia foi contratada inicialmente como assessora especial de Minc, com salário de R$ 8.663, referente ao cargo de Direção e Assessoramento Superior (DAS) 5. Depois foi exonerada e nomeada, na secretaria, para o cargo de gerente de projeto, com salário de R$ 5.967 (DAS 4).

Ela foi procurada ontem na Secretaria, mas não foi encontrada.

Minc e Cida são aliados políticos e fizeram dobradinha na campanha eleitoral de 2006. Flávia e Guida são petistas.

A comissão também analisou o caso do ministro do Trabalho, Carlos Lupi, e aceitou as explicações sobre sua participação no horário eleitoral do PDT. Para a comissão, isso representaria o descumprimento do acordo feito em 2008, quando Lupi teve de se afastar da presidência do PDT. A comissão tinha decidido que os dois cargos eram incompatíveis.

Os ministros podem aparecer na TV desde que não acumulem cargo de direção partidária.

Lupi se comprometeu a não usar mais a identificação de presidente licenciado