Título: Durval diz que Arruda bancou sua defesa
Autor: Franco, Bernardo Mello
Fonte: O Globo, 22/12/2009, O País, p. 8
Dinheiro teria sido arrecadado no esquema de cobrança de propinas no DF
BRASÍLIA. A propina que abasteceu o mensalão do DEM no Distrito Federal também teria sido usada pelo governador José Roberto Arruda para pagar honorários a advogados para defender seu então secretário Durval Barbosa, que depois denunciou o esquema.
Em depoimento no último dia 3, Durval, ex-secretário de Relações Institucionais do DF, acusou Arruda de pagar R$ 2 milhões em dinheiro vivo a Maurício Corrêa, ex-presidente do Supremo Tribunal Federal (STF). Aristides Junqueira, ex-procurador-geral da República, teria recebido pelo menos R$ 140 mil em espécie de honorários.
Advogados não estão sob investigação As revelações constam do inquérito que apura o esquema de cobrança de propina pelo governo Arruda, mas os advogados contratados legalmente para defender Durval não estão sob qualquer investigação.
O foco da Polícia Federal e do Ministério Público é descobrir a origem do dinheiro.
Segundo a denúncia, as despesas com advogados para defender Durval em ações na Justiça do Distrito Federal eram bancadas por Arruda, mas com propina de empresas que mantêm contratos com o Governo do Distrito Federal (GDF). O ex-secretário de Arruda disse que o governador cuidava pessoalmente dos pagamentos.
Arruda nega tudo.
Inicialmente, Corrêa teria pedido para receber R$ 6 milhões.
Segundo Durval, Arruda achou o valor muito alto e conseguiu reduzi-lo para R$ 2 milhões. Dessa quantia, R$ 1,5 milhão teria sido arrecadado com Gilberto Lucena, dono da Linknet, que aparece em vídeo entregando dinheiro em espécie a Durval. A Linknet tem contratos com o governo do Distrito Federal.
Diz o depoimento: ¿Arruda achou o valor cobrado muito alto e disse ao declarante que entregasse R$ 2 milhões a Mauricio Corrêa, que o resto eles veriam depois¿. Além da propina da Linknet, o advogado teria recebido R$ 500 mil do conselheiro do Tribunal de Contas do DF Domingos Lamoglia, ex-chefe de gabinete de Arruda.
Segundo Durval, Corrêa foi contratado para defendê-lo em processos por corrupção na Justiça de Brasília, como parte do acordo entre o denunciante e Arruda. Corrêa confirmou ter sido contratado para defender Durval, mas disse não ter recebido qualquer pagamento porque não chegou a atuar como advogado.
¿ Assinei um contrato de honorários de R$ 30 mil, mas não recebi nada. Se houve alguma entrega, o dinheiro não chegou a mim ¿ disse Corrêa.
No caso de Aristides Junqueira, Durval afirmou que os valores eram pagos a mando de Arruda em espécie. Já o advogado afirmou que defendeu Durval em 13 processos, mas negou ter recebido dinheiro em espécie e disse não saber a origem dos recursos.
Ele rompeu com Durval no fim de novembro, acusando o cliente de quebra de confiança após a divulgação de vídeos do mensalão do DEM.
¿ Não recebi em espécie coisa nenhuma. Ele me pagava em cheques, não em dinheiro.
Se esse dinheiro vinha do governador, não posso comprovar.
E ainda tenho a receber do Durval ¿ afirmou Junqueira.
Em conversa gravada com autorização judicial, Arruda aparece dizendo a Durval que os advogados seriam pagos com o dinheiro supostamente arrecadado pelo esquema de propinas.
Mas Arruda insiste que o combinado era que o próprio Durval também fosse beneficiado na divisão dos recursos.
A OAB do DF entrou na Justiça para tentar suspender o recesso da Câmara Legislativa. A decisão dos deputados distritais adiou para o ano que vem o julgamento dos pedidos de impeachment de Arruda