Título: EUA voltam a crescer após quatro trimestres
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Fonte: O Globo, 23/12/2009, Economia, p. 29
Com revisão, expansão da economia americana passou a 2,2%, o maior índice registrado desde o fim de 2007
WASHINGTON e NOVA YORK. A economia americana registrou crescimento depois de quatro trimestres de queda, apesar de a expansão ter sido mais fraca que o esperado. O Departamento de Comércio dos Estados Unidos informou ontem que a expansão no terceiro trimestre foi de 2,2%, abaixo da estimativa anterior ¿ já revisada dos originais 3,5% ¿ de 2,8%. Analistas projetavam que o Produto Interno Bruto (PIB, soma de bens e serviços produzidos) permanecesse igual, o que esfriou parte do entusiasmo sobre a velocidade da recuperação econômica.
Foi o primeiro período de expansão desde o segundo trimestre de 2008, e o maior crescimento desde o fim de 2007 ¿ quando começou a atual recessão.
Programas de estímulo do governo, como o crédito para troca de carro, têm ajudado a alimentar o consumo, que responde por dois terços da economia americana. Analistas ainda esperam um bom desempenho no quarto trimestre, com a alta das exportações e uma melhora no mercado de trabalho, encorajando os gastos dos consumidores.
¿ Realmente tivemos uma partida mais lenta do que o previsto ¿ disse Nigel Gault, diretor da consultoria IHS Global Insight. ¿ Isso seria muito preocupante se não tivéssemos a certeza de que estamos bem no quarto trimestre.
Empresas gastaram menos que projeção anterior
Com um desempenho melhor das exportações e do consumo, projeta-se uma expansão do PIB em torno de 5% no quarto trimestre. Economistas acham que isso deve se prolongar em 2010, apesar do desemprego ainda elevado.
A revisão do PIB se deveu à queda acima das projeçõesdos estoques de empresas, que caíram US$ 139,2 bilhões.
Os gastos com itens como software e equipamentos também ficaram abaixo das estimativas anteriores: a alta passou de 8,4% para 5%.
Paul Dales, economista-chefe da Capital Economics, disse que o recuo do PIB não era preocupante, mas mostrou preocupação com a queda dos investimentos de capital das empresas. Em nota, ele disse que ¿a incerteza e a elevada capacidade ociosa estão limitando os gastos¿.
A construção de imóveis comerciais, como shoppings e escritórios, caiu 18,4%, contra projeção inicial de 15,1%. Economistas atribuem essa queda à fragilidade do setor, com muitos imóveis vazios, e à relutância dos bancos em fornecer crédito às empresas.
Os gastos de governos estaduais e municipais também ficaram abaixo do estimado inicialmente. A queda passou de 0,1% para 0,6%. Já os gastos dos consumidores pouco mudaram: o crescimento foi de 2,9% para 2,8%.
À medida que se aproxima o fim do ano, os investidores apostam em uma recuperação da economia. As vendas no varejo ficaram acima do esperado em novembro, e o déficit comercial recuou em outubro.
Além disso, a desvalorização do dólar frente a outras moedas está impulsionando as exportações americanas.
Tesouro: não haverá `segunda onda de crise¿
O secretário do Tesouro americano, Timothy Geithner, afirmou ontem que o governo Barack Obama está confiante de que a economia não sofrerá uma recaída.
¿ Não teremos uma segunda onda de crise financeira ¿ disse Geithner em uma entrevista na National Public Radio.
¿ Isso é algo inaceitável. FAremos o que for necessário para evitar isso.
Outro relatório divulgado ontem mostra que o setor imobiliário, um dos mais afetados pela crise, está começando a se firmar. A venda de casas subiu 7,4% em novembro, para a taxa anual ajustada de 6,54 milhões de unidades, contra 6,09 milhões em outubro, acima das estimativas. Em relação ao mesmo mês de 2008, a alta foi de 44,1%. Economistas, porém, ressaltaram que esses números refletem a corrida para aproveitar um crédito fiscal de US$ 8 mil para novos mutuários e não devem se repetir este mês.
¿ É uma boa notícia, mas ainda estamos em um mercado imobiliário muito deprimido ¿ disse Guy D. Cecala, editor da publicação semanal ¿Inside Mortgage Finance¿. ¿ Precisamos de muitas outras altas semelhantes para podermos dizer que temos um mercado imobiliário saudável ou estável.