Título: BB concentra crédito a exportadores
Autor: Oswald, Vivian
Fonte: O Globo, 05/01/2010, O País, p. 20
Na crise, banco ampliou sua participação no setor a até 44%
BRASÍLIA. Diante da contração do mercado de crédito internacional logo após a falência do banco americano Lehman Brothers, exportadores do mundo inteiro perderam da noite para o dia as linhas de financiamento de que se valiam para vender seus produtos. No Brasil, não foi diferente no primeiro momento.
Com o excesso de cautela das instituições privadas, o Banco do Brasil aumentou sua posição de líder no setor.
¿ O banco acabou ocupando a fatia do mercado abandonada pelas outras instituições financeiras ¿ explica o diretor da instituição para Comércio Exterior, Nilo Panazzolo.
Em outubro de 2008, um mês depois de desencadeada a crise, a instituição estava por trás de 40% das operações de crédito para as exportações Adiantamentos sobre Contrato de Câmbio (ACC) e Adiantamentos sobre Cambiais Entregues (ACE) ¿ as principais linhas de crédito voltadas para o setor privado. O recorde foi batido entre junho e julho deste ano, quando o percentual chegou a 44%. A média histórica do banco era de 28%.
Havia uma orientação de governo para que os bancos públicos preenchessem o vácuo das instituições privadas, mas o BB era um dos poucos que ainda tinham como captar recursos. De setembro de 2008 a outubro de 2009, o banco financiou o mesmo volume de operações de importações dos 12 meses anteriores à crise, embora as compras no exterior tenham caído 16%. Para as exportações, o valor dos financiamentos cresceu 2,5%, apesar da queda de 18,5% nas vendas brasileiras ao exterior. (Vivian Oswald)