Título: Ex-assessor de Arruda condenado a devolver R$ 663 mil
Autor: Braga, Isabel ; Franco, Bernardo Mello
Fonte: O Globo, 26/01/2010, O País, p. 3
Verba era de convênio do DF com a antiga Federação Metropolitana de Futebol BRASÍLIA. O Tribunal de Contas do Distrito Federal condenou Fábio Simão, ex-chefe de gabinete do governador José Roberto Arruda (exDEM), a devolver R$ 663 mil por irregularidades no repasse de verbas públicas à Federação Brasiliense de Futebol, da qual é presidente. Apontado pela Polícia Federal como um dos principais operadores do mensalão do DEM em Brasília, ele e quatro ex-dirigentes da Secretaria de Esportes serão acionados judicialmente para recolher a quantia aos cofres do governo.
A decisão do tribunal se refere a um convênio entre o governo local e a antiga Federação Metropolitana de Futebol, assinado em 2003, e foi publicada no último dia 12 de novembro no Diário Oficial do DF. Em tomada de contas especial, os auditores constataram que o dinheiro foi repassado de forma irregular, a título de apoio às atividades da federação.
O documento afirma que não houve prestação de contas sobre o uso da verba pública. Também foram condenados a devolver o dinheiro o ex-secretário de Esportes Wagner Marques, seus assessores Sérgio de Almeida e Márcia Patrício de Oliveira e o dirigente esportivo Weber Magalhães, ligado ao ex-assessor de Arruda.
Até o surgimento do escândalo do mensalão do DEM no DF, Simão era responsável pelos investimentos da capital federal para a Copa do Mundo de 2014 e ostentava prestígio com a cúpula da Confederação Brasileira de Futebol (CBF). Como O GLOBO noticiou ontem, ele é investigado pelo Ministério Público por conflito de interesses em suas atividades como político e dirigente esportivo.
Em ação civil pública que corre desde 2005 no Tribunal de Justiça do DF, Simão é acusado de usar a influência no governo para canalizar recursos públicos para a federação e clubes locais. O MP classificou de ilegais dois convênios que autorizaram o repasse de R$ 3,2 milhões dos cofres do DF, sem qualquer tipo de licitação.
Os promotores do caso se declararam surpresos com a ¿clara ocorrência de conflito de interesses¿ na ação do ex-assessor de Arruda, autor dos pedidos de repasse. Ele ainda teria beneficiado o clube Brasiliense, do qual era sócio em parceria com o senador cassado Luiz Estevão. (Bernardo Mello Franco)