Título: Ameaças para adiar depoimento
Autor: Braga, Isabel ; Franco, Bernardo Mello
Fonte: O Globo, 26/01/2010, O País, p. 3

Durval Barbosa pede mais tempo para comparecer à CPI e irrita oposição BRASÍLIA. Com uma série de ameaças nos bastidores, os aliados do governador José Roberto Arruda (ex-DEM) conseguiram adiar a ida do ex-secretário de Relações Institucionais Durval Barbosa à CPI da Câmara Legislativa que investiga o mensalão do DEM no DF. Intimidado, o homem-bomba do escândalo enviou ofício pedindo que seu depoimento, que estava previsto para hoje, seja marcado em ¿data futura¿. A manobra irritou a oposição, que esperava novas denúncias contra o grupo de Arruda.

Em recados enviados a Durval nos últimos dias, os governistas prometeram contra-atacar com dossiês sobre sua atuação como presidente da Companhia de Planejamento do DF (Codeplan) no governo de Joaquim Roriz, hoje no PSC. O ex-delegado responde a mais de 30 ações por supostos desvios no período. As denúncias contra Durval viraram munição para os aliados de Arruda, que se disseram prontos para botá-lo contra a parede na CPI.

Numa carta de apenas quatro linhas encaminhada ontem à Câmara, Durval alegou que precisaria ¿de um tempo maior para juntar maiores subsídios com vistas à elucidação dos fatos¿.

Em outro ofício, a advogada Margareth Maria de Almeida disse que ele não quer ser obrigado a dar ¿respostas prejudiciais ao exercício de sua ampla defesa¿.

¿ O Durval aceitou falar sobre as denúncias da Operação Caixa de Pandora. O que a gente teme é que ele possa ser prejudicado em outros processos ¿ confirmou ao GLOBO a advogada de Durval.

Nos próximos dias, Durval Barbosa deve tentar um acordo para que os governistas não citem, durante seu depoimento à CPI, as denúncias da época do governo Roriz. Em troca, os aliados de Arruda teriam a garantia de um depoimento sem novidades, no qual o ex-secretário se limitaria a confirmar o que já disse no inquérito sobre o caso no Superior Tribunal de Justiça.

Satisfeito com o adiamento, o relator da CPI, Raimundo Ribeiro (PSDB), aliado do governador Arruda, defendeu que a CPI ouça primeiro os empresários acusados de financiar o esquema. Ex-secretário de Arruda, o presidente da comissão de investigação, Alírio Neto (PPS), disse ontem que o surgimento de denúncias que não estão no inquérito pode complicar Durval.

¿ Ele está sob o regime de delação premiada. Tem que tomar cuidado com o que dirá na CPI, porque se ficar comprovado que omitiu informações à PF, perderá o direito ao benefício ¿ afirmou Alírio Neto. (Bernardo Mello Franco e Isabel Braga)