Título: Mercado vê inflação acima da meta
Autor: Batista, Henrique Gomes ; Almeida, Cássia
Fonte: O Globo, 26/01/2010, Economia, p. 21

Com economia mais forte, previsão sobe a 4,6% em 2010, diz Focus BRASÍLIA e SÃO PAULO. Na semana em que o Comitê de Política Monetária (Copom) se reúne para decidir sobre o futuro dos juros básicos do país, o mercado passou a prever que a inflação ficará acima do centro da meta do governo ¿ de 4,5% pelo IPCA ¿ este ano. É a primeira vez que isso ocorre. E o motivo é o ritmo mais forte da economia, com possibilidade de a demanda crescer mais que a oferta, o que poderá abrir espaço aos reajustes de preços. O índice de inflação semanal medido pela Fundação Getulio Vargas avançou 1,10%, ante alta de 0,8% do mesmo período de 2009.

De acordo com a pesquisa Focus, do Banco Central, o mercado calcula que o IPCA fechará o ano em 4,60%, depois de ficar em 4,50% por cinco semanas seguidas. Outros indicadores de inflação também subiram, como o IGP-M, de 4,55% a 4,59%. Para 2011, a previsão de 4,50% para o IPCA se manteve.

Com a expectativa de inflação maior, o mercado continua apostando que o Copom subirá a Selic, hoje em 8,75% ao ano, em abril. Para o encontro que começa hoje e termina amanhã, as apostas são de que a autoridade monetária não mexerá na taxa ¿ o que seria a quarta manutenção seguida. No fim do ano, o mercado calcula que ela estará em 11,25% anuais e, em 2011, a 11%.

As projeções para a expansão do Produto Interno Bruto (PIB, soma de todos os bens e serviços produzidos no país) também não mudaram: 5,30% para 2010 e 4,50% para 2011. O avanço será pautado pela indústria, cujo ritmo foi acelerado nas projeções. Para 2010, estima-se crescimento de 8%, alta de 0,30 ponto percentual. Para 2011, a estimativa passou de 4,70% a 4,80%.

Balança comercial tem superávit de US$ 71 milhões Com relação ao dólar, a expectativa se manteve em R$ 1,75 ao fim de 2010 e R$ 1,83 em 2011. Já as contas externas estão piores, com previsão de déficit em 2010 de US$ 47,50 bilhões ¿ US$ 2 bilhões a mais que a pesquisa anterior ¿ e de US$ 59,47 bilhões no ano seguinte, acima dos US$ 55 bilhões anteriormente esperados.

Apesar das previsões pessimistas, a balança comercial reagiu semana passada e, após duas semanas consecutivas de déficits, registrou superávit de US$ 71 milhões entre os dias 18 e 22 de janeiro. O valor resulta da diferença entre US$ 3,105 bilhões em exportações e US$ 3,034 bilhões em importações, mas não foi suficiente para eliminar o saldo negativo no mês, que teve déficit de US$ 896 milhões.

As vendas externas somaram US$ 8,051 bilhões em três semanas e as importações, US$ 8,947 bilhões. Pela média diária, as exportações somaram US$ 536,7 milhões, alta de 15,2% sobre igual período de 2009. Em relação a dezembro, caíram 18,4%. A média diária importada, de US$ 596,5 milhões, avançou 21,5% sobre janeiro de 2009.

Ante dezembro, houve alta de 6,8%.

Em São Paulo, o reajuste de 17,4% nas tarifas de ônibus na cidade acelerou a inflação medida pelo Índice de Preços ao Consumidor Semanal (IPCS), da FGV. O índice avançou 1,10%, ante alta de 0,8% do mesmo período de 2009. Três classes de despesas se destacaram: alimentação, cujos preços médios subiram 1,65% nos 30 dias encerrados em 22 de janeiro, educação (+2%) e transportes (+2,59%). O economista André Braz, da FGV, estima que o índice deve fechar com alta entre 1,1% e 1,3% este mês, acima do 0,83% de janeiro de 2009.