Título: É um retrocesso
Autor: Tavares, Mônica ; Barbosa, Flávia
Fonte: O Globo, 23/01/2010, Economia, p. 22
A maior participação da Petrobras no setor petroquímico é um retrocesso, diz Daniella Marques, sócia da Oren Investimentos. Segundo ela, a operação é um alinhamento de governo.
O GLOBO: Qual é a avaliação da incorporação da Quattor pela Braskem? DANIELLA MARQUES: O governo privatizou o setor e, agora, via Petrobras, está reestatizando a petroquímica.
É um retrocesso.
A operação é um alinhamento de governo, de estimular a criação de grandes companhias, como no caso da Oi com a Brasil Telecom, da Sadia com a Perdigão e da Votorantim com a Aracruz.
Qual vai ser o impacto do negócio para a Petrobras e para a Braskem? DANIELLA: Apesar de ser um aporte alto, não é relevante para a Petrobras. A operação é negativa para as ações da companhia, pois o pré-sal vai consumir muito investimento e, além disso, a Petrobras será minoritária no novo negócio. Para a Braskem será positivo, pois há uma expectativa de consumo maior no país. Além disso, a empresa terá o monopólio do setor.
A operação poderá ter problemas no Cade? DANIELLA: A justificativa da companhia é que os preços usados obedecem à cotação internacional. Mas haverá ganho de escala com as sinergias