Título: Mensaleiros na campanha petista
Autor: Brígido, Carolina
Fonte: O Globo, 27/01/2010, O País, p. 8
SÃO PAULO . Réus no processo do mensalão, os ex-presidentes do PT José Dirceu e José Genoino, que farão parte do novo diretório nacional do partido, só não retornarão à executiva petista porque não querem. Dirceu e Genoino querem evitar a exposição, segundo dirigentes ouvidos pelo GLOBO.
Na reunião da nova maioria do partido, que ocorreu no fim de semana em São Roque, interior paulista, os dois estavam entre os principais oradores do grupo, ao lado do presidente eleito do PT, José Eduardo Dutra, expresidente da Petrobras.
As tendências que formam a nova maioria do partido fecharam ontem a lista com os 45 nomes que compõem sua fatia no diretório e incluíram, além de Dirceu e Genoino, outros dois nomes da crise do mensalão: os deputados João Paulo Cunha (PT-SP) e José Nobre Guimarães (PT-CE), que teve um assessor preso com dólares na cueca.
O deputado e ex-ministro Antonio Palocci, cogitado para ser o candidato petista ao governo de São Paulo, já avisou aos companheiros que está fora da disputa. Em tese, o caminho ficaria aberto à ex-ministra e ex-prefeita Marta Suplicy, mas os petistas podem fechar a coligação em torno da candidatura de Ciro Gomes, do PSB.
Para isso, falta Ciro desistir de concorrer à Presidência da República.
Fora da disputa em São Paulo, Palocci deverá assumir um posto no comando da campanha da ministra Dilma Rousseff à Presidência. Uma das possibilidades é que Palocci faça a interlocução do PT com o empresariado, uma vez que ele tem bom trânsito nesse setor, segundo a avaliação do partido. Dirceu também deve participar da campanha de Dilma. Mas sua atuação será discreta, para evitar uma repercussão prejudicial à campanha.