Título: Governos e banqueiros em guerra
Autor: Berlinck, Deborah
Fonte: O Globo, 28/01/2010, Economia, p. 21
Executivos financeiros criticam regulação proposta por autoridades DAVOS, Suíça. O Fórum Econômico Mundial, em Davos, abriu ontem com uma disputa aberta entre banqueiros e governantes. Passado o susto da maior crise financeira desde 1929, bancos e outras instituições financeiras voltaram com força a Davos, reagindo à proposta de maior regulação sobre os mercados. Mas líderes políticos, como o presidente francês, Nicolas Sarkozy, engrossaram o tom. Num discurso vigoroso na abertura oficial do Fórum, Sarkozy se queixou de ¿comportamentos indecentes¿ e ¿lucros excessivos¿.
¿ Só vamos salvar o capitalismo se o refundarmos, tornando-o mais moral ¿ disse Sarkozy, num dos discursos mais radicais na abertura do Fórum.
Horas antes do discurso do presidente francês, representantes de grandes bancos defenderam menos regulação, dizendo que o cerco ao mercado vai reduzir emprego e gerar outras crises no futuro. O presidente do banco inglês Barclays, Bob Diamond, alertou para a possibilidade de um êxodo de bancos de Londres e Nova York na direção de outros centros financeiros, em Cingapura, Taiwan ou Zurique.
Os bancos estão furiosos com o anúncio do presidente dos EUA, Barack Obama, de que pretende reduzir o tamanho dos bancos, numa proposta que precisa ainda passar pelo Congresso. Ele já tem apoio aberto do economista Nouriel Roubini e do megainvestidor George Soros. Este, porém, acha que o momento não é agora.
Para Jacob Frenkel, presidente do JPMorgan Chase International, a excessiva intervenção do governo gera protecionismo.
¿ Com a excessiva vontade de nos proteger a todos, os governos se tornarão muito protecionistas.
(Deborah Berlinck, enviada especial)