Título: Desemprego cai ao menor nível em dezembro e fecha 2009 com leve alta
Autor:
Fonte: O Globo, 29/01/2010, Economia, p. 24

Taxa no ano passado ficou em 8,1% e rendimento subiu. Economistas veem melhora Fabiana Ribeiro

Num ano marcado pela crise global, a taxa média de desemprego do Brasil foi, em 2009, de 8,1% ¿ ligeiramente pior que os 7,9% do ano anterior, quando registrou o melhor resultado da série histórica anual do IBGE.

Em dezembro do ano passado, essa taxa caiu de 7,4% para 6,8%, num movimento de queda já esperado para o mês, mas que repete o indicador de igual período de 2008, o menor da série.

Para analistas, os dados mostram que os efeitos da turbulência global já deixaram o mercado de trabalho. Com isso, as perspectivas são de taxas menores em 2010.

¿ A pressão no mercado de trabalho ainda não foi suficiente para atender à demanda por emprego.

Contudo, os indicadores de qualidade mostram avanços no mercado de trabalho ¿ disse Cimar Azeredo, gerente da Pesquisa Mensal de Emprego (PME), divulgada ontem pelo IBGE.

Um desses indicadores é o contingente de ocupados nas seis regiões metropolitanas do país. No ano passado, foram 21,3 milhões de pessoas, contra 21,1 milhões em 2008. É, portanto, mais gente trabalhando. Outro termômetro diz respeito à renda: a média de rendimento real do ano anterior foi de R$ 1.350,33 ¿ alta de 3,2% sobre a média de 2008. Em seis anos (2003 para 2009), o poder de compra do rendimento de trabalho aumentou em 14,3%.

¿ A crise não afetou os rendimentos do trabalhador ¿ resumiu Azeredo, acrescentando que, em dezembro, houve uma queda de 0,9% no rendimento, devido à contratação de temporários, que recebem remuneração menor.

A massa de rendimentos sai de R$ 27,9 bilhões em 2008 para R$ 29 bilhões em 2009. Para João Saboia, diretor do Instituto de Economia da UFRJ, é um sinal de que o mercado interno pode continuar a dar fôlego à economia brasileira: ¿ O mercado interno segurou a economia. Mesmo com crise, o nível de renda ficou superior ao que se teve no ano anterior.

Percebe-se que houve geração de emprego com qualidade.

Apesar de crise, mercado de trabalho ficou mais formal Saboia lembra que, mesmo num contexto de crise, a formalidade ganhou mais espaço. O percentual de trabalhadores com carteira assinada no setor privado passou de 44,1% em 2008 para 44,7% em 2009, recorde na série. Em consequência, o contingente de trabalhadores que contribui para a Previdência aumentou para 66,8% em 2009.

Para Roberto Gonzalez, do Ipea, os números apontam para uma ¿recuperação sustentável do mercado de trabalho¿.

¿ O mercado de trabalho voltou ao patamar de antes da crise. Os indicadores brasileiros estão melhores do que os de muitos países centrais.

E as perspectivas são positivas para abertura de novas vagas. Especialmente quando se olha o universo de São Paulo ¿ cuja movimentação espelha outras regiões. Pesquisa de Emprego e Desemprego (PED), da Fundação Seade e do Dieese, mostra que a taxa de desocupação em São Paulo terminou dezembro em 11,9%, contra 12,8% do mês anterior.

O BNDES foi o responsável em 2009 por criar e manter cerca de 4,5 milhões de empregos no Brasil, afirmou ontem o presidente do banco, Luciano Coutinho. Em 2008, foram 2,8 milhões de vagas.

O avanço aconteceu porque, sem crédito em bancos públicos e privados, as empresas recorreram mais ao BNDES.

¿ O BNDES teve um papel importante para a geração e criação de vagas em 2009, um ano de crise ¿ disse Coutinho.

Em 2009, o banco liberou R$ 137,4 bilhões em crédito para as empresas (alta de 49% ante 2008). As aprovações cresceram 40%, para R$ 170,2 bilhões. O BNDES participa de um projeto para apoiar a emissão de debêntures no Brasil. Para isso, reservou R$ 10 bilhões, que poderão ser usados em três anos