Título: Comerciante morre apos chamar 190
Autor: Brígido, Carolina
Fonte: O Globo, 30/01/2010, O Pais, p. 10
Em SE, vítima tenta, em vão, convencer atendente sobre presença de suspeitos
ARACAJU. Um comerciante de Aracaju, dono de um depósito de bebidas, foi assassinado, mesmo depois de tentar acionar a polícia e pedir ajuda. Ele ligou para o 190, mas, do outro lado da linha, estava uma operadora de telemarketing, que não percebeu a gravidade da situação. A ligação foi gravada. Nos trechos divulgados pela polícia, o comerciante tenta convencer a atendente da ameaça:
¿ Bom dia, aqui tem dois motoqueiros parados só de olho. Tem mais de cinco minutos.
¿ Eles estão fazendo algo suspeito? ¿ pergunta a atendente.
¿ Para mim, estão fazendo. Se é motoqueiro, é suspeito ficar parado há muito tempo. Não são moradores da rua. Estão parados há muito tempo e não tiram os capacetes.
¿ A placa da moto? ¿ pergunta a operadora do 190.
¿ Eu não vejo. Não posso ir até lá ver. Só sei que ele está parado olhando.
¿ O senhor visualizou a característica dos indivíduos?
¿ Não. Não conheço. Estão com capacete na cabeça, como é que vou saber?
¿ Eu peço que o senhor tenha as características do indivíduo para me passar.
Sem poder obter a informação, o comerciante encerra:
¿ Está certo. Está bom. Tchau.
Sem o retorno do chamado da polícia, ele continuou na loja e, no fim da manhã, foi atacado pelos criminosos. O comerciante foi assassinado com um tiro na cabeça quando saía do depósito. A família está inconformada.
¿ Essa morte assim dói demais, é difícil esquecer ¿ disse a viúva.
A ligação foi atendida no centro de operações em Segurança Pública, por uma funcionária de uma empresa de telemarketing. O serviço foi terceirizado há menos de um ano. Dezesseis atendentes se dividem em três turnos. As ocorrências são repassadas para PM, Corpo de Bombeiros e Instituto Médico-Legal (IML), mas o socorro só é enviado quando esses funcionários acham necessário. Para o sargento Jorge Vieira, da Associação de Militares de Sergipe, policiais deveriam ser escalados para atender aos chamados.
Do G1