Título: Jobim quer mudanças na missão
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Fonte: O Globo, 16/01/2010, O Mundo, p. 26

Para ministro, após garantir a paz, grupo agora reconstrói o país

RIO e BRASÍLIA. O ministro da Defesa, Nelson Jobim, anunciou ontem que quer rediscutir o mandato da Minustah (sigla que designa a missão da ONU para a estabilização do Haiti). Para ele, é preciso decidir se a função da missão ainda é a manutenção da paz ou a reconstrução do país. A alteração do status implicaria mudanças nas ações dos brasileiros e na verba da ONU destinada à missão.

- O mandato da Minustah é de manutenção da paz. Mas o que se vê não é mais isso. É a reconstrução do país. E aí você começa a deslocar um orçamento da ONU. Hoje, por exemplo, o uso de verbas é restrito à segurança e à manutenção da paz. Vamos discutir com o Itamaraty esse mandato.

O ministro afirmou que o Brasil assumiu o comando das operações no Haiti com a incumbência de combater as gangues criminosas que agiam no país. Depois disso, a Minustah passou a ser necessária para a manutenção da segurança. Agora, segundo ele, os desafios enfrentados pelos militares brasileiros, antes mesmo do terremoto, passam pela construção da infraestrutura do país.

- Hoje, o problema todo é a reconstrução do país - enfatizou.

Desde 2004, as tropas, comandadas pelo Brasil, atuam no sentido de manter a paz e, ao mesmo tempo, garantir maior qualidade de vida à população, por meio da adequação da infraestrutura. Esse esforço, segundo fontes da área diplomática, seria intensificado com a inclusão de projetos não previstos pela Minustah. Foi o que deixou claro o ministro da Defesa. Ele informou que a Companhia de Engenharia do Exército Brasileiro está trabalhando no projeto de construção de uma usina hidrelétrica para fornecer energia a Porto Príncipe. O custo da obra está estimado entre US$200 milhões e US$300 milhões.

- Vamos precisar de recursos. Felizmente, o presidente Obama determinou ao ex-presidente Clinton que faça a gestão desses recursos. Mas isso não pode passar pela Minustah, porque o mandato não prevê isso. Não obstante, determinei à Companhia de Engenharia que, mesmo não tendo o mandato, vá tocando a obra, devido à emergência - disse Jobim.

O chefe de gabinete da Presidência da República, Gilberto Carvalho, confirmou que o governo brasileiro gostaria de "adotar" o Haiti, como publicado anteontem no GLOBO. Segundo ele, é preciso trabalhar junto à ONU para que os recursos destinados à reconstrução do país sejam suficientes:

- A partir de agora, temos que fazer um grande envio internacional de material. O Brasil deve liderar e brigar muito para que esse auxílio de fato chegue à ponta.

Pelo cronograma atual, a partir de 2011 começaria a retirada progressiva de homens do Haiti, país em que há eleições parlamentares previstas para o mês que vem e presidenciais no fim do ano. Com a revisão que está sendo cogitada, o prazo tende a ser adiado e o tempo de permanência, ampliado.

COLABOROU Eliane Oliveira