Título: Exportador brasileiro pode ganhar
Autor:
Fonte: O Globo, 12/01/2010, Economia, p. 19

Custo cairia em 20%. Para AEB, câmbio duplo levará a ação na OMC

BRASÍLIA. As medidas cambiais adotadas pelo presidente da Venezuela, Hugo Chávez, colocarão o comércio do Brasil com aquele país ¿mais próximo da realidade¿. A avaliação é do presidente da Federação das Câmaras de Comércio Brasil-Venezuela, José Francisco Marcondes, que estima uma redução de custo para o exportador brasileiro em torno de 20%. Na última sexta-feira, Chávez anunciou a criação de dois tipos de câmbio ¿ um para alimentos, bebidas e bens de capital, no valor de 2,65 bolívares; e outro, de 4,30, para o restante dos bens importados.

Segundo Marcondes, até então, à exceção de produtores de alimentos e remédios, ninguém mais negociava a entrada de mercadoria na Venezuela pelo câmbio oficial, de 2,15 bolívares.

A saída era o câmbio paralelo, que chegava a 6,20 bolívares. Com a desvalorização oficial, o produto brasileiro fica mais competitivo em relação ao câmbio paralelo que o exportador pagava. A redução de custo estimada pela federação leva em conta o dólar entre 4,20 e 5 bolívares.

¿ O câmbio de 2,15, que vigorava até a semana passada, era uma ficção.

Para o exportador brasileiro foi bom ¿ afirmou Marcondes.

O vice-presidente da Associação de Comércio Exterior do Brasil (AEB), José Augusto de Castro, concorda com a avaliação. Ele, porém, suspeita que qualquer país pode, a partir de agora, entrar contra a Venezuela na Organização Mundial do Comércio (OMC), pois o câmbio duplo é proibido: ¿ A Colômbia, que foi bastante prejudicada com a redução das exportações de produtos industrializados para o mercado venezuelano, seria uma forte candidata.

O governo brasileiro está avaliando as medidas e seu impacto no Mercosul, uma vez que o país andino está a um passo de entrar no bloco como membro pleno. Com US$ 3,278 bilhões no período de janeiro a novembro de 2009, as exportações do Brasil para a Venezuela recuaram 36,3% frente ao ano anterior. Já os US$ 535 milhões importados dos venezuelanos ficaram no mesmo patamar de 2008.

De forma geral, o Brasil importa energia da Venezuela. Mas, como o país enfrenta forte estiagem, o fornecimento de energia a Roraima corre risco.