Título: Vai alimentar a corrupção
Autor:
Fonte: O Globo, 12/01/2010, Economia, p. 19

A especialista em Análise Econômica da Fundação Getúlio Vargas do Rio, (FGV-RJ), Lia Valls, acha ¿ineficazes¿ as medidas adotadas na Venezuela.

Para ela, a maxidesvalorização vai alimentar a inflação e as duas taxas de câmbio vão estimular o ¿mercado paralelo¿ e a corrupção.

Lia coordena a Sondagem da América Latina, da FGV.

Liana Melo

O GLOBO: Como a senhora analisa as recentes medidas do presidente Chávez?

LIA VALLS: A decisão do governo de promover um controle cambial vai estimular efeitos perversos na economia venezuelana, como a criação de um mercado paralelo. Isto sem falar no fato de que vai alimentar a corrupção no país.

O que a senhora acha da maxi des valorização da moeda venezuelana?

LIA: Ela é igualmente ineficaz, porque vai gerar um efeito inflacionário ainda maior. E o pior é que não vai servir para estimular a indústria nacional, como chegou a defender Hugo Chávez. Não se reduz a dependência internacional por decreto. Não adianta mexer só no câmbio.

O presidente Chávez assumiu o governo anunciando que iria atacar a ¿síndrome do petróleo¿. Foi só retórica ou a senhora acha que ele está conseguindo?

LIA: O presidente Chávez até anunciou que iria romper com isso, mas definitivamente ele não está conseguindo. Chávez precisa usar as divisas do país para promover a diversificação da indústria nacional.

Os dados da Sondagem da América Latina já sinalizavam que o país partiria para a radicalização?

LIA: Acompanhamos a pesquisa ¿Sondagem da América Latina¿ e os últimos dados indicam que havia uma desconfiança generalizada em relação às políticas governamentais de alguns países, sobretudo em relação à Venezuela. As maiores incertezas recaem especialmente sobre as diretrizes de política econômica da Venezuela e da Argentina. O Equador também levanta suspeita, mas bem menos que os outros dois. O resto da região está indo bem.