Título: Contra o desenvolvimento a qualquer custo
Autor: Aggege, Soraya
Fonte: O Globo, 17/01/2010, O País, p. 4
FERNANDO MEIRELLES
O cineasta Fernando Meirelles já fez programas eleitorais para PT e PSDB, mas não atua em campanhas desde 1986. Em novembro, conheceu a senadora Marina Silva e, desde então, tem ajudado os verdes a montar o programa de TV do partido, que vai ao ar em fevereiro. Ele diz que votará em Marina.
Soraya Aggege
Qual será a sua participação na campanha?
FERNANDO MEIRELLES: Na campanha, nenhuma. Vou ajudar a Mari (Corrêa) a remontar um documentário que fez sobre a Marina.
Qual será a sua participação nos programas? E nas outras áreas da campanha?
MEIRELLES: O Programa do PV será dirigido pelo Marcelo Maia, do Rio. Vou dar alguns palpites, só.
Por que a sua escolha por Marina Silva?
MEIRELLES: Sinto que estes últimos 16 anos, que muitos consideram ser o início de uma nova etapa para o país, sejam na verdade o final de um ciclo que começou com Getúlio Vargas. Em 2010 não é mais possível defender o desenvolvimento a qualquer custo, o crescimento a taxas altíssimas. Será que não está suficientemente claro que não há mais espaço no planeta para crescermos de qualquer maneira? Que nossos recursos naturais estão se esgotando? Por mais óbvias que sejam essas constatações, a outra candidata (a petista Dilma Rousseff) fala em aceleração do crescimento e extração de petróleo como eixos do seu programa. Isso é uma visão de desenvolvimento do século passado, precisa ser enterrada e a Marina Silva parece ser uma cabeça que consegue ver e pensar um mundo onde os paradigmas são outros.
Qual é a sua opinião sobre os outros candidatos, José Serra (PSDB) e Dilma?
MEIRELLES: José Serra é experiente e tem boa capacidade de gestão. Deu um belo passo na educação do estado, ao enfrentar o sindicato dos professores, quando instituiu prêmios por desempenho nas escolas. Foi também corajoso em relação a medidas ligadas ao meio ambiente em São Paulo. Dizem que a Dilma também é competente - embora vê-la apoiando o Sarney ou se recusando a contribuir com um fundo de mitigação do clima em Copenhague tenha me feito pensar na imagem de trator que lhe é atribuída.