Título: PV busca palanques para Marina
Autor: Aggege, Soraya
Fonte: O Globo, 17/01/2010, O País, p. 4
Partido acende alerta e inicia força-tarefa para atrair nomes fortes nos estados
SÃO PAULO. Sem palanques nacionais para a senadora Marina Silva (AC), e com poucas chances de alianças, os verdes acenderam a luz amarela na questão das coligações regionais. No próximo dia 19, o PV anuncia uma força-tarefa para montar estratégias nos estados. Será uma ofensiva para que candidatos apareçam. Os alvos principais são São Paulo, Minas Gerais, Rio Grande do Sul, Bahia e Pernambuco. No Rio, o partido tenta solucionar impasses para garantir a candidatura do deputado federal Fernando Gabeira, que, na semana passada, voltou a anunciar sua intenção de se lançar ao governo.
- Vamos montar uma força-tarefa para os estados estratégicos. Temos bons nomes - afirma Marco Antonio Mroz, um dos 21 coordenadores da pré-campanha de Marina.
Em São Paulo, maior colégio eleitoral, a pressão é sobre o ambientalista Fábio Feldmann, mais interessado em disputar uma vaga no Senado. A expectativa do partido é convencê-lo na próxima semana.
- A minha intenção é ajudar Marina, mas sair candidato a governador envolve muita coisa, não estou certo - disse o ex-tucano Feldmann.
Dissidência do PSOL prejudica Marina
Com o recuo de parte do PSOL sobre as alianças, a situação do PV se complicou. Nas contas dos verdes, Dilma Rousseff (PT) terá 66% do horário eleitoral nacional, ou 16 minutos; e Marina, apenas 1,25 minuto dos 25 do horário eleitoral. Com o PSOL e outras coligações com pequenas siglas, Marina teria cerca de 4 minutos.
O tabuleiro nos outros estados inclui poucas chances de coligações. Para escolher um representante em Minas, o partido ainda patina entre o deputado federal José Fernando e o ex-secretário de Meio Ambiente de Belo Horizonte Ronaldo Vasconcelos.
Na Bahia, o partido contará com o deputado federal Luiz Bassuma. No Paraná, o nome será Nelton Friedrich, diretor da Itaipu Binacional. E, em Pernambuco, Sérgio Xavier, presidente estadual da sigla.
Com o apoio do tucanato no Rio, Gabeira terá mais tempo de programa eleitoral, contando com partidos como o DEM e o PPS. No entanto, a candidatura do verde servirá tanto a Marina quanto a Serra. O PV sinaliza que poderá apoiar o tucano no caso de segundo turno. Um dos impasses ao nome de Gabeira no Rio é a candidatura ao Senado do ex-prefeito Cesar Maia (DEM), agora desafeto do presidente do PV fluminense, Alfredo Sirkis.
A linha da pré-campanha eleitoral está praticamente definida. Marina e os verdes querem reconhecer as realizações tanto de Fernando Henrique, em oito anos, como do presidente Lula, nos últimos oito - além de apresentar um projeto de futuro, para uma era de desenvolvimento sustentável.
- Não seremos anti-Lula, mas pós-Lula. Não vamos jogar pedras - afirma Alfredo Sirkis, cotado para ser o coordenador-geral da campanha de Marina.
Por enquanto, os verdes investem os ânimos no programa nacional do partido, que entra em rede gratuita no próximo dia 4. Com base em um documentário de Mari Corrêa, o cineasta Fernando Meirelles está ajudando, gratuitamente, a produzir a apresentação da candidata.
- O grande mote da campanha será a educação, e Marina é a professora que foi alfabetizada aos 16 anos e nunca mais parou de ler - disse Marco Antonio Mroz.