Título: Lula pede à ONU que civis façam distribuição
Autor: Damé, Luiza
Fonte: O Globo, 21/01/2010, O Mundo, p. 24

Ministro da Defesa envia ao Congresso solicitação para mandar mais 1.300 militares ao Haiti; 900 irão imediatamente

BRASÍLIA. Em conversa telefônica com o secretário-geral da ONU, Ban Ki-moon, ontem à tarde, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva sugeriu que as organizações civis cuidem da distribuição de doações para não sobrecarregar as forças de paz da Minustah, comandadas pelo Brasil.

Lula defendeu que os militares que integram a Minustah se limitem ao papel definido pela própria ONU ¿ a estabilização política e social do Haiti, incluindo a garantia da segurança. A presença maciça de tropas americanas no Haiti causou constrangimento na capital, Porto Príncipe, e a distribuição de alimentos por militares recebeu críticas da ONU e de ONGs.

¿ O presidente Lula reiterou (a necessidade) da organização do grupo civil que se encarregue das doações para deixar a Minustah mais livre para as tarefas de manutenção da paz.

Nós estamos tratando de fazer isso, coordenando as agências civis que estão atuando no Haiti ¿ contou o ministro das Relações Exteriores, Celso Amorim.

Congresso vota autorização para enviar mais soldados Lula relatou a Ban sua conversa com o presidente dos EUA, Barack Obama, anteontem. Segundo Amorim, Lula disse que Obama tratou da necessidade da coordenação das atividades no Haiti e defendeu que a ONU mantenha essa função. Ban Kimoon reiterou as condolências pela morte de brasileiros no terremoto do Haiti, elogiou o trabalho dos militares brasileiros naquele país e agradeceu o reforço das tropas. Segundo Amorim, o Brasil ofereceu mais militares.

Ontem, o ministro da Defesa, Nelson Jobim, enviou à Comissão Representativa do Congresso Nacional um pedido para o envio de mais 1.300 militares para integrar a Força de Paz da ONU no Haiti.

¿ Conversei com o senador (José) Sarney pelo telefone e enviei um pedido ao Senado. Inicialmente, seriam 900 militares, sendo 750 de Infantaria e 150 policiais do Exército. Mas estou pedindo 1.300 para ter uma folga, para uma futura demanda da ONU ¿ explicou Jobim.

A votação está marcada para a próxima semana.

Na conversa com o secretáriogeral da ONU, Lula deixou claro que, neste momento, os recursos doados ao Haiti são para resolver problemas emergenciais e será necessária uma contribuição para reconstrução.

Amorim agora diz que cogita viagem ao Haiti O assessor especial da Presidência Marco Aurélio Garcia disse que há quatro anos o governo brasileiro cobra dos países desenvolvidos a doação de recursos prometidos ao Haiti.

¿ Temos de aproveitar pelo menos isso. Se é que se pode dizer que houve um lado bom nessa catástrofe, é justamente que a comunidade internacional hoje não tem mais desculpas para dizer que o Haiti não é um problema dela. É, sim ¿ afirmou.

Um dia depois de informar que o ministro Celso Amorim não tinha planos de ir ao Haiti, a assessoria de imprensa do Itamaraty anunciou ontem que Amorim cogita visitar o país, embora a viagem ainda não tenha sido marcada. De acordo com a assessoria, é provável que a visita ao Haiti ocorra ainda neste mês. No próximo dia 25, em Montreal (Canadá), haverá uma reunião de chanceleres dos países doadores para discutir a situação do Haiti. Amorim vai representar o Brasil.