Título: Extradição de militar uruguaio para a Argentina é adiada por motivo de saúde
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Fonte: O Globo, 21/01/2010, O País, p. 8

Oposição lembra que no caso Battisti governo tomou decisão diferente PORTO ALEGRE e BRASÍLIA. A extradição do coronel da reserva Manuel Cordero, de 71 anos, para a Argentina, foi adiada ontem. No fim da manhã, o cardiologista de Cordero, Leandro Tholozan, informou à Polícia Federal que o estado de saúde do uruguaio havia se agravado, e disse que o mais indicado seria levá-lo para exames e, possivelmente, uma cirurgia em Porto Alegre.

Com extradição autorizada pelo Supremo Tribunal Federal (STF) desde agosto, o militar, acusado de participar da Operação Condor e de ter sido o responsável pelo desaparecimento de 11 pessoas e pelo sequestro de um bebê, passou o dia na clínica em que está internado, em Santana do Livramento e recebeu a visita do cunhado e do advogado. Ele precisa de quatro pontes de safena, segundo Tholozan.

Em Brasília, a extradição de Cordero provocou polêmica. Representantes da Comissão de Mortos e Desaparecidos Políticos, ligada à Secretaria de Direitos Humanos, acreditam que a decisão reforça a tese de que crimes cometidos durante a ditadura não podem ser esquecidos.

Para o advogado Belisário dos Santos Júnior, que integra a comissão, a decisão do STF pode dar ¿alguma pista¿ sobre futuros julgamentos no tribunal, em especial a ação da Ordem dos Advogados do Brasil que requer a extensão da Lei de Anistia.

¿ O STF é um tribunal político.

Se o Supremo não variar de entendimento, pode seguir esse mesmo raciocínio. A meu ver, os agentes de Estado não foram atingidos pela Lei de Anistia. Não houve anistia para sequestro e mortes. Essa foi a sinalização no caso do Cordero. São crimes que não prescrevem.

Já o deputado Antônio Carlos Pannunzio (PSDB-SP) fez uma comparação da extradição de Cordero com o caso do italiano Cesare Battisti. Para o parlamentar, Battisti é claramente um conhecido criminoso comum, julgado num país (a Itália) em plena vigência democrática. Pannunzio afirmou que o governo Lula protege o italiano por questão de afinidade ideológica.

¿ Não cabe ao governo brasileiro interpretar decisões judiciais.

No caso do coronel Cordero provavelmente não há simpatia ideológica e o tratamento é diferente. Battisti também deveria ser entregue. É um desrespeito a um país que mantém relações históricas com o Brasil.