Título: No Rio, Lei Seca ajuda a salvar 3.700 vítimas
Autor: Bruno, Cássio; Alencastro, Catarina
Fonte: O Globo, 09/01/2010, O País, p. 10

Dados do Ministério da Saúde indicam que São Paulo registra o maior número de mortes em acidentes de trânsito

RIO e BRASÍLIA. Inscrito entre os cinco estados com maior número de mortes em acidentes de trânsito, segundo dados do Ministério da Saúde, de 2008, o Rio de Janeiro sentiu, em 2009, reflexos positivos da Operação Lei Seca, iniciada em março do ano passado: foram 10.329 vítimas (mortas e feridas), 3.701 a menos do que em 2008. Os dados do ano anterior já apontavam, no entanto, para uma curva de redução ¿ em 2007, foram 2.690 mortes nas cidades fluminenses, enquanto, em 2008, os óbitos chegaram a 1.885.

¿ O governo do estado resolveu estabelecer uma política pública com ações diárias para a preservação da vida humana. A Lei Seca faz a fiscalização dos motoristas infratores e também realizou um trabalho de conscientização nesses nove meses de operações ¿ disse o subsecretário estadual de Governo e coordenador-geral da Operação Lei Seca, Carlos Alberto Lopes.

Mas o trânsito ainda causa, pelas estradas brasileiras, um número de vítimas comparável ao de guerras. Dados do Ministério da Saúde indicam que São Paulo é o estado com o maior número de mortes em acidentes.

Em 2008, 7.666 vidas foram perdidas em rodovias e nas pistas das cidades paulistas.

Minas Gerais vem em seguida, com 3.682 mortes. Em terceiro lugar ficou o Paraná, com 3.227 mortes registradas, seguido por Rio Grande do Sul, com 2.052 óbitos. O Rio de Janeiro é o quinto na lista.

Ministério vê falhas em fiscalização do trânsito O Ministério da Saúde aponta as falhas na fiscalização como as principais causas de acidentes.

¿ Tem que ter mais fiscalização.

Nos pequenos municípios, principalmente, ela tem que ser muito melhorada. Deixa muito a desejar ¿ avalia Otaliba Libânio, diretor do Departamento de Análise de Situação de Saúde do Ministério.

Libânio defende que haja mais campanhas educativas que alertem para o perigo da mistura de álcool e direção e ensine motoristas e passageiros a darem mais importância a equipamentos como o cinto de segurança.

A Lei Seca, afirma, teve um impacto significativo na redução de acidentes, mas é preciso mais fiscalização.

Segundo ele, é necessário também mais interação entre os órgãos de trânsito de cidades e estados e outros departamentos governamentais, como o próprio Ministério da Saúde.

Libânio diz que o governo federal custeia ações de educação em 16 capitais brasileiras. Além das campanhas, parte do recur so vai para a instalação de barreiras de velocidade.

A presidente da Companhia de Engenharia e Tráfego da prefeitura do Rio (CET-Rio), Claudia Secin, atribuiu a redução de vítimas no trânsito às campanhas educativas divulgadas pelo município, governo do estado e Ministério das Cidades, além da Operação Lei Seca. Segundo ela, a troca das placas de sinalização e a retirada das fro/p>

tas de veículos antigos das ruas também contribuem para evitar as mortes ao volante.

Paulo Cezar Martins Ribeiro, professor de Engenharia de Transportes da Coppe-UFRJ, no entanto, ponderou: ¿ Fazer blitzes da Lei Seca é importante, só que não é suficiente.

Não existe a cultura de fiscalização aleatória, de rotina, como ocorre na Europa e nos Estados Unidos. O problema é no Brasil inteiro. Dificilmente você vê um policial penalizar um motorista quando ele passa em alta velocidade por um carro da polícia.

A principal preocupação do governo, atualmente, é com os motociclistas, que têm respondido por grande parte dos acidentes graves, especialmente nas cidades menos populosas.

Os acidentes de trânsito envolvendo motociclistas saltaram de 300 óbitos em 1990 para quase sete mil em 2006. Segundo o Ministério da Saúde, esses acidentes são a principal causa de atendimentos de vítimas de trânsito nas emergências dos hospitais do Brasil. O Ministério reconhece que o problema congestiona os centros de saúde.

Anualmente, cerca de 35 mil mortes ocorrem em acidentes de trânsito nas estradas e vias urbanas do Brasil.