Título: Para aliados de Arruda, loteamento é natural
Autor: Carvalho, Jailton de; Braga, Isabel
Fonte: O Globo, 16/02/2010, O País, p. 4
Deputado que assumiu Câmara do DF diz que medida foi "em nome da governabilidade"
BRASÍLIA. Aliados do governador afastado do Distrito Federal, José Roberto Arruda (sem partido, ex-DEM), confirmam o loteamento de cargos no governo e apontam a prática como natural, com objetivo garantir a governabilidade. Para o presidente da Câmara Distrital, deputado Wilson Lima (PR), aliado de Arruda, a ocupação de cargos é negociada politicamente entre o governador e aliados, e ocorre em todos os governos.
- Não é lotear, é ter consenso. Ajudamos a eleger e vamos governar juntos. O governo precisa ter nomes com competência, dispostos a trabalhar. Todo governo é assim. São acordos políticos. É assim em nome da governabilidade - afirmou Lima, escolhido por Arruda para comandar a Câmara depois da renúncia de Leonardo Prudente (DEM), o do dinheiro nas meias.
A estratégia do governo Arruda de dividir 3.476 do total de 4.463 cargos de confiança entre amigos, assessores e aliados políticos está documentada em ata de uma reunião realizada em 2007. A ata, como publicou o GLOBO, foi apreendida pela Polícia Federal na casa de Domingos Lamoglia, ex-chefe de gabinete de Arruda e conselheiro do Tribunal de Contas do DF.
Cada deputado distrital, como Wilson Lima, teria direito a 80 cargos comissionados.
- Honestamente, não trabalho com esse número (80). Indiquei pessoas, passam de 50 (cargos). Na época, ele (Arruda) falou: você senta com alguns líderes, escolham as pessoas. São pessoas ligadas a ele e a mim - diz Lima, dizendo que isso é comum em todos os governos. - Veja a indicação do senador Edison Lobão (PMDB) para o Ministério de Minas e Energia. O PMDB foi em cima.
Os presidentes dos nove partidos aliados, de acordo com a planilha, teriam direito a nomear até dez pessoas cada. O primeiro da lista é o DEM. O secretário-geral do DEM no DF, Flávio Couri, justificou.
- Deputado sofre muita pressão para indicações e aqui não é diferente, infelizmente - afirmou Couri.
A ata incluiu os três senadores eleitos pelo DF, que teriam direito a indicar 30 nomes cada.
O senador Adelmir Santana (DEM) tinha direito a 40 cargos, por ter sido coordenador de campanha de Arruda. Ele admitiu que preencheu 32.
- (são cargos) Sem nenhuma importância. Não tem mando, não tem chefia, são de expressão extremamente inferior- disse o senador à CBN.
O senador Cristovam Buarque (PDT) nega ter indicado 30 pessoas, seu nome não aparece na lista:
- Não indiquei ninguém. O Arruda convidou três militantes do PDT e o partido autorizou.