Título: DEM discute intervenção no diretório do DF
Autor: Carvalho, Jailton de; Braga, Isabel
Fonte: O Globo, 16/02/2010, O País, p. 4

Após escândalo do mensalão no governo Arruda, reunião extraordinária decidirá sobre expulsão do governador interino

Jailton de Carvalho, Isabel Braga e Carolina Brígido

BRASÍLIA. A executiva nacional do DEM deverá discutir, em reunião extraordinária nesta quinta-feira, a dissolução do diretório do partido no Distrito Federal. O diretório local é comandado pelo governador interino Paulo Octávio, um dos alvos da Operação Caixa de Pandora, investigação sobre fraudes no governo da capital. Paulo Octávio se licenciou da função no partido quinta-feira. A executiva deverá decidir também se acolhe ou não o pedido de expulsão do governador interino.

Os pedidos de dissolução do diretório e da expulsão do governador interino partiram do senador Demóstenes Torres (GO) e do ex-líder da bancada na Câmara, Ronaldo Caiado (GO). Para Demóstenes, a executiva tem que intervir no diretório em Brasília devido ao grande número de dirigentes locais do partido envolvidos com o esquema, supostamente chefiado pelo governador afastado José Roberto Arruda (ex-DEM).

- Já não dá mais. O DEM está envolvido com essa história (fraudes investigadas na Operação Caixa de Pandora) há muito tempo - disse Demóstenes.

Isolado, Paulo Octávio já admite renunciar ao cargo

Segundo ele, o partido tem quadros suficientes para renovar o comando no Distrito Federal. O presidente do DEM, Rodrigo Maia (RJ), não quis dizer se apoia ou não as sugestões de Demóstenes e Caiado, mas reconhece que a proposta poderá ter amplo apoio da executiva.

- A opinião deles tem reflexo grande no partido - disse.

Isolado e sem apoio do partido para exercer sua interinidade como governador, Paulo Octávio está tentando apoio do presidente Luiz Inácio Lula da Silva e, em último caso, admite até a renunciar ao cargo.

A situação de Arruda, preso desde quinta-feira passada, também é cada vez mais delicada. Depois de visitar o governador afastado na superintendência da Polícia Federal, o advogado Thiago Bouza, do escritório de Nélio Machado, contratado por Arruda, disse que ele começa a se preocupar.

- O Arruda começa a demonstrar a preocupação a respeito disso (novas denúncias) - disse Thiago Bouza.

Ele referia-se à repercussão das novas denúncias, publicadas pelo GLOBO, sobre espionagem do Ministério Público e o loteamento de cargos no governo. Documentos apreendidos pela Polícia Federal levantam a suspeita de que setores da Polícia Civil teriam sido usados para espionar o Ministério Público do Distrito Federal. Pelo menos cinco importantes investigações sigilosas dos promotores vazaram. O secretário de Segurança, Valmir Oliveira, disse que vai abrir investigação para apurar a denúncia. Outros documentos, também recolhidos pela polícia, informam que Arruda loteou 4.463 cargos de confiança entre amigos e assessores.

Arruda está há cinco dias na cadeia. Ontem, voltou a receber a visita da primeira-dama Flávia Arruda. Depois do encontro, de quase uma hora, Flávia Arruda, deixou a sede da PF abatida e chorando. Ela levou a refeição do marido. A PF informou que Arruda começou a tomar banho de sol domingo. O governador afastado tem direito a 15 minutos de banho de sol, no pátio, acompanhado por escolta policial. A PF informou também que Arruda está mais animado e passa o dia lendo e dormindo.

O secretário extraordinário de Educação Integral do Distrito Federal, Afonso Brito, tentou visitar Arruda, mas foi barrado porque não agendou visita. Ele disse que conhece a família de Arruda desde a infância:

- Não é possível que Arruda, filho de pais honestíssimos, tenha prevaricado. Ele está sendo vitima de armação. Está sendo injustiçado.

Brito também criticou o fato de Arruda não ter sido ainda ouvido pela Justiça.

- Não ouviram o Arruda. Ele não teve direito a se defender - afirmou.