Título: Tentei uma articulação, mas não deu certo
Autor: Franco, Bernardo Mello; Weber, Demétrio
Fonte: O Globo, 24/02/2010, O País, p. 3
Sem filiação partidária, Paulo Octávio se disse tranquilo ao renunciar ontem. Disse que entregou o cargo de governador em exercício porque fracassou na articulação política para obter sustentação à sua administração.
E se queixou do presidente Lula, por não ter lhe dado apoio.
O GLOBO: Como está se sentindo depois de finalmente renunciar ao governo? PAULO OCTÁVIO: Estou bem e tranquilo, mas chateado de deixar o governo. Para governar, é preciso ter uma certa estabilidade política, que não tinha . E o Arruda ainda é o governador.
E o que acontece agora com Brasília? PAULO OCTÁVIO: Acho que o Wilson Lima vai governar bem. É um homem simples, mas de bem. Vai enfrentar as dificuldades e governar com todo o apoio de seu partido.
Uma intervenção no Distrito Federal seria muito ruim, abalaria a autonomia política da capital do país.
O que determinou sua saída? PAULO OCTÁVIO: Foi uma reunião de várias coisas: a instabilidade política, o fato de eu não ser o governador, de ser interino, e a falta de apoio do DEM. Tentei uma articulação política, mas não deu certo.
O presidente Lula deveria ter lhe dado mais apoio? PAULO OCTÁVIO: A conversa com o presidente Lula foi muito cordial, mas ele me disse que não queria se meter na questão política antes que o Supremo julgasse o pedido de intervenção.
O presidente Lula poderia ter dado mais apoio, porque se trata da capital do país, tem a festa dos 50 anos...
Teme as denúncias contra o senhor na Operação Caixa de Pandora? PAULO OCTÁVIO: Não tem nada, absolutamente nada contra mim, só citações.